sábado, 10 de dezembro de 2011

O que eu falei, eu disse.

Talvez esta seja a mais chata de todas as postagens que farei neste blog.
Estou usando o verbo no futuro do presente para evidenciar que este site continua, ainda que os textos já não sejam abundantes, como no passado, quando eu tinha mais tempo.
E também uso o verbo assim, porque os artigos geralmente vão sendo construídos na medida que vou escrevendo; a primeira linha não vai anunciar a chegada de um objeto concluído.
Claro que o tema não é chato em si. Aliás, é da mais alta relevância, pois o assassinato da Drª Patrícia Lourival Acioli requer reparação na mais perfeita de suas possibilidades, de maneira que criminosos não fiquem impunes e a reputação da justiça - cada um de seus sistemas - não seja solapada.
O que tornará esta postagem chata, mas necessária para mim, obviamente, não é o conteúdo do meu depoimento na 3ª Vara Criminal de Niterói, mas o fato de que ele (o depoimento) é muito longo, incompreensível, talvez, em alguns pontos, para quem não esteja ambientado ao drama ou a particularidades da Polícia Militar.
Mas, no artigo anterior me comprometi que iria fazer um esforço de resgatar (e seria pela memória) tudo o que eu disse.
Assim, como minha declaração é um ato público, tive acesso ao meu depoimento e agora o publico.
Os leitores vão poder constatar que uma ou outra matéria não relatou o que eu disse; foi mal produzida, como aquela do G1 (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/testemunhas-de-defesa-sao-ouvidas-no-4-dia-de-audiencia-do-caso-juiza.html) que informa: Os promotores de acusação questionaram se Mário Sérgio não tinha conhecimento das oito acusações à que respondia Claudio Oliveira. Mas o coronel alegou que desconhecia as acusações de prevaricação, crime de tortura, abuso de poder, homicídio qualificado - classificado como auto de resistência - e violação de domicílio.
Mas, tudo bem, embora tenha sido justamente o contrário, ou seja, que eu tenha dito que sabia, e apenas não me lembrava de cada uma, particularmente, vamos considerar que o jornalista não tenha ouvido bem; que tenha cochilado, algo assim. Agora ele poderá reescreve-la, se julgar importante produzir reparos.
Seguramente ainda voltarei a escrever sobre esse tema. Fatos novos vão surgindo, novas perspectivas e interpretações, como a que supõe a existência de um viés racista na inclusão do Tenente Coronel Claudio na condição de acusado (http://www.patricia-acioli.blogspot.com/). Eu presumo sua inocência pelas provas, como disse no artigo anterior, mas o argumento racista é sofisma.
E aqui está o meu depoimento:

Presta ocompromisso legal. Dada a palavra à Defesa do acusado CLÁUDIO LUIZ SILVA DEOLIVEIRA, foi perguntado e respondido: que não é amigo pessoal do Cel. Claudio; que o Cel Claudio serviu num período muito curto quando o depoente era comandante, mas ambos trabalharam juntos no BOPE; que ambos são do mesmo curso de formação do BOPE; que assumiu o comando da PM em julho de 2009 e desde o início, fez uma série de movimentações que importavam em trocas de comandos nas unidades dos batalhões; que a área do 7º BPM estava apresentando uma série de problemas de insegurança subjetiva e também de segurança objetiva na mensuração dos números da criminalidade, que são exibidos pelo instituto de segurança pública (índices de criminalidade); que a primeira tentativa de redução da criminalidade foi colocar o Cel. Daflon no comando do 7º BPM; que colocou o Cel. Daflon porque ele tinha servido no 7º BPM conhecia a área; que verificou ao longo dos meses que o Cel. Daflon fazia um grande trabalho na parte administrativa e nas relações institucionais, mas não conseguiu diminuir o índice de criminalidade; que por isso fez uma segunda tentativa de melhorar os índices na comarca de são Gonçalo, e por isso colocou o Ten. Cel. Roberto do Batalhão de Botafogo para São Gonçalo; que o Cel. Roberto também não obteve bons índices, pois no final de 2009 para 2010 ocorreu o fato até então inesperado que foi o conflito entre as facções de São Gonçalo; que com isso os crimes de ruas passaram a ser potencializados pelas guerras de facção; que em outubro de 2010, o depoente resolveu fazer uma terceira tentativa objetivando melhorar os índices da criminalidade, fazendo um outro ajuste, escolhendo um oficial com perfil mais operacional para fazer frente a criminalidade de rua, mas também para enfrentar as guerras de facção; que nessa época convocou o Subdiretor do hospital da PM de Niterói que era o Cel. Cláudio para assumir o 7 BPM, e colocando o Tenente Cel. Roberto na administração do hospital, fazendo uma permuta entre ambos, pois o Tenente Cel. Roberto tinha um perfil mais administrativo; que o Cel. Cláudio passou a realizar esse trabalho de dupla face de contenção da criminalidade nas ruas e combate ao conflito de facções; que a mensuração das estatísticas do trabalho do Cel. Cláudio ocorreu em setembro de 2011 quando foi recebida a documentação informando que o 7º BPM tinha cumprido todas as metas e alcançado a 4ª colocação no ranking de unidades premiadas, com bons resultados em favor da sociedade; que essas quantificações foram feitas pela Secretaria de Segurança e não pela Polícia Militar; que esses índices buscam privilegiar a prevenção dos delitos, com a redução de homicídios, latrocínios, roubos de um modo geral e também da letalidade policial; que o batalhão foi premiado pelos seus resultados; que também são premiadas as unidades de polícia civil; que a previsão de saída do o Cel.Cláudio do 70 BPM era para o mês de outubro de 2011 para o complexo da Maré (22ºBPM), pois o depoente tinha o costume de fazer a remoção dos comandantes a cada um ano de efetivo trabalho no local, de modo a não deixar "criar limo" nos batalhões, por isso fazia essas remoções como se fosse um rodízio; que essa remoção, hierarquicamente era desfavorável ao Cel. Cláudio, na medida em que o 7º BPM é considerado um batalhão Classe A, pois responde por toda uma Comarca; que somente um Coronel poderia assumir o comando, sendo considerado como Coronel interino; que o batalhão da Maré é considerado de Classe C; que na Maré o trabalho do Cel Cláudio seria realizar um trabalho em conjunto com o BOPE para receber uma UPP; que efetivamente o Cel. Cláudio foi removido para o complexo da Maré, não se recordando em que data; que a transferência do Cel. Cláudio do7º BPM para o Batalhão da Maré tinha por motivo a morte da Dra. Patrícia; que junto com a remoção do Cel. Cláudio, outros comandantes foram removidos, cerca de vinte; que é comum os oficiais subordinados de um comandante ligarem diretamente para ele no dia-a-dia, mesmo fora do horário de expediente; que em outubro de 2010, o Cel. Cláudio assumiu o comando do 7 BPM; que cerca de um mês depois, em 16 de novembro de 2010, foi encaminhado ao Cel. Cláudio um ofício(no 65/10) expedido pela Dra Patrícia, onde ela esclarecia ao Cel. Cláudio que os julgamentos da 4a Vara Criminal atravessavam a madrugada e por isso pedia dois policiais indicados por ela como de sua confiança para trabalharem no Fórum na 4a Vara Criminal em plantão diferenciado; que os policiais mencionados no ofício eram o Cabo Poubel e s Cabo Pascoal; que neste ofício a Dra Patrícia deixou claro que era questão da segurança para os atos da Vara, mas a rigor não poderia ser tratado pelo Cel Cláudio, pois existem dois provimentos que regulam a cessão de policiais militares para o Tribunal de Justiça: Ato conjunto006/98 — documento do TJ assinado pelo Desembargador Thiago Ribas filho e o Desembargador Ellis Hermidio figueira; que os requerimentos diferenciados devem ser remetidos diretamente à Presidência do TJ; além desse ato, há o Convênio que regula a segurança dos Tribunais, dispondo que o Batalhão não pode passar diretamente policiais para a segurança de Juízes; que o Cel. Cláudio deveria se reportar a um superior para encaminhar a solicitação da juíza, pois não havia notícia de risco pessoal; que inobstante a existência do convênio, o Cel. Cláudio despachou no documento a cessão dos dois policiais; que dois meses depois chegou ao conhecimento do depoente o descumprimento do convênio, afetando os repasses financeiros; que então o depoente determinou que se cumprisse o que estava escrito no convênio com o TJ e determinou que os policiais não deveriam continuar naquele trabalho; que tinha notícias de que o Cabo Poubel teria muita dificuldade de continuar trabalhando no 7 BPM pois tinha muitos problemas pessoais com alguns policiais, havendo inclusive um documento encaminhado pela Dra Patrícia; que então o depoente determinou que esses dois policiais fossem removidos para um Batalhão na mesma área, tendo sido o Cabo Poubel transferido para o Batalhão de policia rodoviária e o CaboPascoal para o 12º BPM; que o depoente também determinou que os policiais Poubel e Pascoal não poderiam ser transferidos sem a autorização do depoente, porque não gostaria que eles fossem colocados em unidades muito distantes de suas residências, ou unidades mais arriscadas como o 39, 22 e 16 BPM; que determinou também que se houvesse manifestação de vontade de quaisquer deles para nova remoção, isso poderia ser feito após ciência do depoente e foi inclusive o queaconteceu com o Cabo Pascoal; que o Cel. Cláudio não teve nenhuma participaçãona transferência dos Cabos Poubel e Pascoal; que essa transferência foirealizada por determinação do depoente; que não recebeu nenhuma informação de que o Cel. Cláudio tenha descumprido uma solicitação da Dra Patrícia; que possui dois pedidos da Dra Patrícia, sendo um pedindo os dois policiais, o que foi deferido pelo Cel. Cláudio e um outro requerimento no qual a Dra Patrícia presta esclarecimentos num caso envolvendo o Cabo Poubel na delegacia depolicia judiciária militar; que o Cabo Poubel se envolveu num conflito com terceira pessoa na casa da Dra Patrícia me Piratininga, e isso gerou a necessidade prestar depoimento perante os policiais da Delegacia de Polícia Judiciária, mas o depoimento não foi prestado e sim apresentadas declarações por escrito; que neste documento a Dra Patrícia diz que havia solicitado ao Cel. Cláudio que desse proteção e segurança a pessoa que foi agredida pelo Cabo Poubel e à família dele; que pelo que soube, esse pedido foi atendido pelo Cel. Cláudio e uma viatura permaneceu em frente à casa do agredido dando segurança; que sabe então desses dois casos que a Dra Patrícia fez solicitação ao Cel. Cláudio e foi atendido; que não existe obrigação do comandante se apresentar às autoridades quando assume um comando, sendo um ato de cortesia; que geralmente ele é apresentado ao Diretor do Fórum e aos Chefes dos Poderes Executivo e Legislativo; que estava sendo implantado um programa de controle de autos de resistência e controle da letalidade e a intenção era que esse programa iniciasse em São Gonçalo; que o depoente queria apresentar esse programa ao Ministério Público da 4ª Vara criminal e solicitou aos Procuradores Dr. Cláudio Lopes e ao Dr. Astério um encontro com o Dr. Paulo Roberto, promotor da 4ª. Vara Criminal de SG; que o depoente foi primeiro ao gabinete do Dr. Cláudio Lopes apresentar o programa;que nessa reunião o depoente apresentou uma proposta de que o objetivo agora era contrário ao que ocorria na década de 90, ou seja, um trabalho com um menor número de mortes, visando preservar vidas; que dessa reunião, partiu um convite para um almoço no comando—Geral da PM um mês depois com a presença dos comandantes, Juízes e vários Promotores, não se recordando se o Dr. Paulo Roberto compareceu; que não se recorda se o Cel. Cláudio esteve nesse almoço; que o objetivo era uma maior aproximação entre os batalhões, promotores e juízes; que não se recorda se o Promotor Dr. Paulo Roberto fez alguma critica a atuação do Cel. Cláudio no 7º BPM seja no almoço ou na reunião seguinte; que jamais ouviu da parte do Dr. Paulo qualquer comentário de que o Cel. Cláudio pretendesse matar a juíza Patrícia Acioli e se tivesse ocorrido esse comentário, o depoente teria que tomar medidas de pronto; que apenas consulta índices do instituto de segurança pública sobre autos de resistência e até o mês de julho, não havia aumento considerável do índice, sendo que esse índice não se refere apenas ao 7º BPM; que não há nenhuma limitação legal para que um comandante, tendo algum oficial preso, em razão de auto de resistência venha visitá-lo em unidade prisional; que isso também acontece com policiais do mesmo posto ou graduação; que os objetivos da inclusão do Cel. Cláudio como acusado neste processo são subjetivos; que não sabe informar com certeza por qual motivo o Cel. Cláudio foi acusado neste processo, podendo dizer apenas sobre o que tem em mãos, ou seja, ofícios e documentos que já foram noticiados hoje em seu depoimento; que 1989 tanto o depoente quanto o cel. Cláudio eram tenentes e realizaram o curso de operações especiais; que após o curso o depoente permaneceu nas unidade de operações especiais e o Cláudio foi para outro lugar; que em 1990, o Cel. Cláudio foi premiado por ter sido o melhor policial do ano; que no mesmo ano, em uma viagem ao Chile o depoente se encontrou com Cláudio; que na década de 90 (entre 93 e 95), ambos serviram no BOPE e aí sim, operaram muitas vezes juntos em favelas e operações; que certa vez Cláudio foi atingido numa incursão por Robertinho de Lucas, se não se engana; que não tem uma relação pessoal e intima com Cláudio, não sabendo onde ele mora, nem conhecendo seus filhos nem nunca esteve junto com ele em reuniões sociais; que e o Cel. Cláudio sempre foi selecionado para funções mais difíceis, sendo inclusive promovido por bravura; que a vida do Cel. Claudio sempre foi voltada para a atividade operacional, embora tenha tido um bom desempenho na diretoria do Hospital da PM em Niterói; que o conceito do Cel. Cláudio na visão do depoente é de um Oficial que sempre cumpriu suas obrigações, tanto que foi selecionado para comandar o batalhão de são Gonçalo. Dada a palavra à Defesa do acusado DANIEL SANTOS BENITEZ LOPES, nada foi perguntado. Dada a palavra à Defesa do acusado SÉRGIO COSTA JUNIOR, foi perguntado e respondido: que quando o batalhão atinge a meta, todos os policiais são premiados, do soldado ao coronel; que o prêmio foi de R$ 2 mil para cada um; que o Cel. Cláudio chegou a descumprir uma determinação do depoente quando retardou as férias de mais de 200 policiais, como uma estratégia para alcançar os resultados, e depois com a premiação, houve uma satisfação dos policiais; que nos crimes de rua a participação da policia preventiva é mais efetiva; no caso dos homicídios dolosos contra a vida se destaca a atuação da policia civil, porém há uma cobrança natural dos comandantes dos batalhões por melhores resultados; que moralmente um policial de outro batalhão menos graduado costuma ouvir e obedecer um oficial mais graduado que ele de outro batalhão, desde que a solicitação seja legítima e legal; que se não houver ilegalidade, a solicitação costuma ser obedecida. Dada a palavra à Defesa do acusado JOVANIS FALCÃO JUNIOR e JEFERSON DE ARAUJO MIRANDA, nada foi perguntado. Dada a palavra à Defesa do acusado CHARLES AZEVEDO TAVARES, nada foi perguntado. Dada apalavra à Defesa do acusado ALEX RIBEIRO PEREIRA, nada foi perguntado. Dada a palavra à Defesa do acusado JUNIOR CEZAR DE MEDEIROS, foi perguntado e respondido: que "área vermelha" é uma expressão copiada das ForçasArmadas e significa uma área de altíssimo risco; que o Complexo do salgueiro era considerado área vermelha na época em que trabalhou lá e acredita que ainda o seja. Dada a palavra à Defesa do acusado CARLOS ADILIO MACIEL SANTOS, nada foi perguntado. Dada a palavra à Defesa do acusado SAMMY DOS SANTOS QUINTANILHA, nada foi perguntado. Dada a palavra à Defesa do acusado HANDERSON LENTS HENRIQUES DA SILVA, nada foi perguntado. Dada a palavra ao Ministério Público foi perguntado e respondido: que na década de 90 uma política belicista empurrou jovens oficiais para uma política de confronto e os envolvidos capitalizavam tanto no sentido simbólico como financeiramente, recebendo diplomas, promoções e um prêmio, chamado de gratificação faroeste; que muito jovens oficiais foram empurrados a essa situação; que a política atual é diferente, privilegiando exatamente o contrário; que não pode garantir se o Cel. Cláudio foi levado ou não por essa política que existia na década de 90; que comandar é um risco; que o Cel. Cláudio era premiado por uma postura de enfrentamento e nova política do comando geral era diametralmente oposta, mesmo a sim correu o risco de colocar o Cel. Cláudio com esse perfil no comando do 7º BPM; que o depoente foi o promotor da política do não enfrentamento o mesmo tempo vivenciou a política do enfrentamento, assim como o Cel. Cláudio; que na indicação do Cel. Cláudio na política de não enfrentamento os números dos índices confirmam; que buscou informações adicionais sobre o Cel. Cláudio antes de nomeá-lo por intermédio da própria Secretaria de Segurança; que essas informações continham anotações por uma ação em 1989 de lesões corporais envolvendo um taifeiro da aeronáutica, informações sobre problemas familiares do Cláudio com a esposa um ou dois autos de resistência e uma condenação; que essas informações chegaram depois da nomeação; que os dados de inteligência não são definitivos para tomada de decisão pelo comandante; que foram cerca de sete ou oito anotações, mas não se recorda de todas; que não recebeu nenhuma informação de que o Cel. Cláudio pudesse estar envolvido com ilícitosrelacionados a caça-níquel, contravenção e milícias; que são Gonçalo foi o primeiro comando do Cel. Cláudio; que o ofício da Dra Patrícia ao Cel. Cláudio solicitando dois policiais para auxilio no fórum de SG chegou ao conhecimentodo depoente depois da prisão do Coronel Cláudio, embora soubesse da situação de fato; que o depoente foi quem solicitou o ofício ao comandante do batalhão(ofício no 65/2011); que o pedido de segurança dos juízes é feito ao Tribunal de Justiça e este é que vai indicar os policiais; que é o comandante-geral quem autoriza a cessão dos policiais; o que não pode é o comandante do batalhão autorizar; que a cessão do funcionário tem que ser publicada no boletim interno; que um comandante da unidade não tem autoridade para determinar a publicação de cessão de policial militar; que tomou conhecimento por sua assessoria de que os dois policiais haviam sido colocados à disposição da 4ª Vara Criminal, cerca de dois meses depois; que os gestores do convênio, um do TJ e outro da PM, fiscalizam eventuais irregularidades e comunicam ao comandante-geral; que a identificação da irregularidade possivelmente se deu pelo trabalho de fiscalização, mas não tem certeza se foi feito por escrito, ou feito verbalmente, o que é possível; que não se lembra exatamente de que forma chegou ao conhecimento do depoente a irregularidade da presença dos dois policiais cedidos pelo Cel. Cláudio à 4a Vara Criminal de SG; que não se recorda como esse fato foi sanado na polícia militar; que a assessoria do depoente teria reportado ao depoente a falta dos repasses financeiros em decorrência da cessão; que como os policiais estavam fora do convênio, logo, não havia o repasse do TJ, pois o TJ desconhecia a irregularidade; que em regra, o Magistrado se comunica com o Tribunal e este vai dizer sobre a necessidade do policial, fazendo o repasse do convênio caso haja a cessão; que o que regula a segurança geral é o convênio, e pelo convênio, o magistrado não pode ter policiais à disposição e o policial que faz a segurança pessoal, não pode fazer segurança do Fórum; que pelo ato conjunto, se o magistrado se sente de em risco ele, via Tribunal, solicita a segurança; que a Juíza não tinha escolta; que no ofício dela, ela não pede segurança pessoal, mas pede segurança para a 4a Vara; que o policiamento específico do fórum não poderia se prestar para proteção à magistrada; que mesmo nos encontros com o Corregedor da Policial Militar a Dra.Patrícia não mencionou nenhum pedido de segurança particular, tendo inclusive dito em um depoimento perante a polícia judiciária em 25/03/11 que o Cabo Poubel era um problema para ela, pois ela esclarece que ele era um paciente psiquiátrico que fazia intervenções no processos dela, principalmente nos autos de resistência, e isso acabou culminando no fim do casamento dela; que no ofício, a Dra. Patrícia indicava que o expediente na 4a Vara criminal tinha horário diferenciado das demais serventias, e o término dos atos se dava após às 22h; que havia policiamento no Fórum em todo o horário de expediente; que não sabe o percentual de policiais militares do 7º BPM que são processados pela 4º Vara criminal, mas é um número muito elevado, considerando as outras Vara criminais; que os atos oficiais são publicados em diário oficial; que exonerou o comandante Cláudio do 7º BPM logo após a morte da Dra. Patrícia e não em outubro, como pretendia, porque chegou ao depoente uma solicitação da Justiça dizendo da conveniência de transferência dos comandantes de alguns batalhões (São Gonçalo, Niterói e Itaboraí); que como o depoente já iria transferir o Cel. Cláudio dias depois, ele antecipou a transferência; que o Cel. Cláudio foi transferido menos de um mês depois da morte da Dra. Patrícia, juntamente comoutros comandantes; que tomou conhecimento de que a munição utilizada no homicídio da Dra. Patrícia provinha do 7º BPM antes da transferência do Cel. Cláudio para outra unidade; que a classe de policiais com perfil operacional é mais masculino e a maioria tem esse perfil, mais do que mulheres; que há uma quantidade de policiais com perfil administrativo menor e os de perfil acadêmico é menor ainda; que é policial militar há 31 anos; que já ouviu aexpressão "corrupto operacional" como também outras expressões tais como "administrativo corrupto"; que o "corrupto operacional" é o que se permite à inclinação para o mal comum se valendo de sua capacidade para realizar a venda da sua honra na atividade operacional; que o "administrativamente corrupto" faz isso dentro do quartel. Dada a palavra ao Assistente de Acusação, foi perguntado e respondido: que em 1989 foi colega do acusado Cláudio no BOPE (à época chamado COE); que somente recentemente tomou conhecimento de que o Cel. Cláudio e a Dra. Patrícia se envolveram num episódio em 1989, que gerou o indiciamento do Coronel por desacato, quando estava em serviço no Maracanã, quando deu voz de prisão a então Defensora Dra. Patrícia; que essa informação foi dada ao depoente pelo próprioCoronel Cláudio; que em 1989 o depoente não soube desse episódio; que também não sabia do episódio no início do comando do Cel. Cláudio no 7º BPM; que em 1990, o acusado Cláudio Luiz foi premiado como o melhor policial do ano; que em fevereiro de 1991, o depoente foi a uma viagem na companhia do tenente coronel coronel Cláudio e mais três outros policiais; que tem conhecimento que há anotações na folha do Cel. Cláudio sobre abuso de autoridade (sem condenação), lesão corporal a um taifeiro (com absolvição), um auto de resistência que possivelmente seria um homicídio qualificado; que não se recorda, mas épossível que o Cel. Cláudio tenha respondido por invasão de domicílio, e também por maus tratos do CPM e prevaricação em vista de uma conduta em que um aluno de curso de treinamento teria se lesionado; que sabe também de desavenças familiares do Coronel que figuram no JECRIM; que não se recorda de ter visto acusação de crime de tortura na folha do Cel. Cláudio; que nunca tomou conhecimento das notícias de ameaças à Dra Patrícia; que essa informações de ameaças nunca chegaram ao depoente; que o DGSEI é uma diretoria do Tribunal deJustiça que cuida da segurança dos magistrados; que não sabia do relacionamento da Dra Patrícia com a DGSEI; que conhece o Mj. Salema, não sabendo se o mesmo trabalhava na DGSEI; que sabia apenas que o Mj. Salema foi cedido ao Tribunal de Justiça; que tomou conhecimento pelos jornais na atualidade sobre o problema que a Dra. Patrícia teve com o Mj. Salema; que foi Comandante-Geral da PM por 2anos e 3 meses; que nesse período nunca recebeu informações da inteligência sobre denúncias de ameaças à Dra. Patrícia Acioli seja por qualquer órgão; que também não recebeu informação formal da Dra patrícia; que ao todo são 41 mil policiais na PMERJ e 41 Batalhões; que quando assumiu o Comando—Geral solicitou a devolução de cerca de 250 policiais militares irregularmente cedidos; que eram cerca de 1000 ou 2000 policiais cedidos, em diversos convênios; que foi o próprio depoente quem solicitou a sua saída do Comando-Geral da PM; que diante do fato ocorrido com o Cel. Cláudio neste processo entendeu de pedir sua exoneração; que acha que esse é o momento de assumir sua responsabilidade moral de ter um comandante de sua escolha acusado por um homicídio e não permitir que um ato de escolha que era do depoente fosse transferido para qualquer outra pessoa. Perguntas do Juiz em complementação: que não pensa neste crime como um crime contra o Judiciário, mas sim como um crime de ódio, pois foram 21 tiros disparados contra uma pessoa e não contra a Instituição do Judiciário; que os 21 tiros foram para matar, mas também para descarregar a fúria e o ódio do atirador. Nada mais havendo, mandou o MM. Dr. Juiz de Direito encerrar o ato.