sábado, 28 de julho de 2012

Discurso na Academia Brasileira de Filosofia


Abaixo transcrevo o discurso que proferi na Academia Brasileira de Filosofia, no dia 23 de julho de 2012, por ocasião do recebimento do título de Acadêmico Honoris Causa e noite de aotógrafos pelo lançamento de: Liberdade Para o Alemão - O Resgate de Canudos.

É com um misto de alegria e emoção muito grandes que compareço a esta Casa Histórica do Marechal Osório, Patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro, para receber o título de Acadêmico Honoris Causa que me foi outorgado pela Academia Brasileira de Filosofia.
É, seguramente, um dos momentos mais importantes da minha vida, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores convidados.
Indubitavelmente, é o título mais relevante que recebi até hoje. Assim o considero.
Sou oficial, Coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro com trinta e dois anos de carreira, e por conseqüência das tradições militares, das nossas culturas e do simbolismo das profissões das armas, acumulei ao longo dos anos algumas homenagens, medalhas e títulos concedidos por autoridades generosas que me julgaram digno de ostentá-los, e reconhecer-me como um dos seus.
Também fui lembrado por autoridades civis, com destaque para parlamentares e governantes, que me honraram com deferências e referências elogiosas públicas, escritas e verbalizadas.
Faço questão de declarar isto aqui não porque pretendo apresentar-me como homem laureado, importante, que se reconhece digno de méritos impulsionadores de homenagens, mas para evidenciar que o título que recebo terá o maior destaque na minha folha curricular, na minha história pessoal, e na herança memorial que deixarei para os meus amados filhos, neta e, espero, uma extensa e duradoura descendência.
Certa vez, Senhor Presidente, alguém, um chefe impaciente e de visão utilitarista-pragmática com quem trabalhei -, chamou-me “filósofo” durante uma discussão de um tema funcional quando eu tentava apresentar-lhe outros pontos de vista além daquele que ele possuía, e que poderiam, talvez, dar melhor solução ao problema que enfrentávamos.
A expressão foi dita com desdém. Não sei se ele quis alertar-me para uma atitude prolixa ou pedante da minha parte; era absolutamente possível que eu estivesse agindo assim. Eu poderia estar sendo inconveniente, chato, impertinente.
Mas, o tom de desdém, a crítica desacompanhada de refutação, de argumentação, me fez pensar que o problema estava no meu interlocutor que não queria pensar e nem me permitir pensar: pensar como convém às democracias, como convém às ciências, como convém à política, como convém à existência humana.
Não há atividade humana exitosa que não seja produto da reflexão crítica, do exercício do pensamento direcionado para aquela atividade e situação específicas. O pensamento condensa em abstrações toda a experiência vivida, todo a vivência empírica, e nos orienta espiritual e intuitivamente para uma solução criativa.
O vestibular para filosofia só veio dois anos após esse fato e quase por uma imposição de minha mulher Viviane: encontrei minha inscrição sobre a cômoda, quando cheguei em casa, e, menos de um ano depois, estava frequentando o velho prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, no Largo de São Francisco.
Estou em débito com a Universidade. Até hoje não consegui fechar o curso. A carreira primeira, de policial militar, de servidor público, não podia ser relegada a plano secundário, e pus na vanguarda as armas, até que toda guerra que me coubesse por destino se findasse, deixando a contemplação para a segunda onda.
Sobre este livro, LIBERDADE PARA O ALEMÃO – O RESGATE DE CANUDOS, que tenho a felicidade de lançar nesta casa esta noite, asseguro-vos que quem escreve um livro é antes de qualquer coisa um inconsequente, um sujeito de parafuso solto que não avalia, previdentemente, os perigos que terá que enfrentar na travessia do nebuloso, pantanoso, cavernoso e assombroso território das ideias, da memória e da imaginação.
Escrever um livro é imprudência com a própria saúde física e mental, é negligência para com a família, com os amigos e com a religião que se professa.
Escrever um livro é errar palavras, concordâncias e só enxergar depois da primeira edição publicada, porque, por certo tempo, só vemos o que queremos, o que está na nossa cabeça, impondo-nos o ridículo de desprezar sugestões corretíssimas de quem verdadeiramente detém o melhor conhecimento do léxico e da sintaxe, até que venha a segunda edição: quando vem!
Escrever um livro sobre a ação é criar um texto sobre uma escrita prática. Texto do texto, escrita da escrita. A ação é uma escrita sem texto, ou quem sabe, um texto prático.
Eu encerro meu discurso aqui.
Agradeço eternamente ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Academia Brasileira de Filosofia, Professor Doutor João Ricardo Moderno, pela deferência tão especial à minha pessoa. Certamente me esforçarei por não causar, jamais, qualquer constrangimento a esta casa e seus membros: seu Corpo Acadêmico.
Aos meus familiares, aqui presentes, agradeço primeiramente à minha mãe Zilma e ao meu padrasto Arino, que me criaram apoiados numa base filosófica Cristã.
Aos meus lindos e queridos filhos e filho-enteado: Michelle, Matheus, Mariana, Maria Luiza, Marco Aurélio e Daniel, agradeço pelo amor e carinho que me devotam.
À minha linda e amada mulher Viviane agradeço pela vida filosófica que temos. Só durante o dia! E  por sua existência sempre radiante e vivificante.
Aos meus irmãos, sobrinhos, tios, cunhados, minha sogra, meus amigos de infância lá de São Gonçalo. Estão todos aqui hoje! Muito Obrigado!
Aos meus amigos de trabalho, irmãos de Cristandade, colegas de faculdade, companheiors da mídia e todos os convidados presentes, autoridades militares, autoridades civis, oficiais, praças, policiais civis, companheiros de armas e lutas, agradeço por suas presenças.
E, finalmente, agradeço ao Pai Todo Poderoso que nunca me faltou, e que tem-me levantado sempre dos tropeços e das quedas.

Paz e bem para todos.

Muito Obrigado.


Nenhum comentário: