sábado, 19 de outubro de 2013

O FIM NÃO JUSTIFICA OS MEIOS.

Recentemente escrevi dois artigos nos quais critiquei duramente os Black Blocks. Julgo suas condutas incompatíveis com a democracia. A liberdade que usufruímos, construída pelo entendimento que supera as força das armas e a intolerância das ideologias, não pode ser ameaçada por eles, uma minoria enraivecida que quer fazer prevalecer seu entendimento das coisas mundo.
Se os Black Blocks não incomodam uma parcela da população, me conforta saber que parcela maior está a cada dia mais incomodada, e começa a exigir uma atitude enérgica contra seu vandalismo organizado. Quem trabalha, por exemplo, no centro do Rio de Janeiro, já não suporta alterar sua rotina e sofrer perdas, como chegar atrasado às aulas, ou passar momentos de pânico, como pessoas conhecidas me relataram ter sofrido numa composição do metrô, na Cinelândia, afetada pelo gás de pimenta.
Mas, enquanto não há clamor popular contra o caos, os “poderes” relativizam a intolerância oriunda desses simulacros de movimento social, pondo-a no patamar da liberdade legítima e fazendo pensar que quem lhes coíbe a arruaça é justamente o lado violento e intolerante da questão, ou seja, as forças policiais.

Em 2007, na França, o então candidato à presidência Nicolas Sarkozy alertava para a leniência da política dominante em seu país, dizendo sobre o caos de 2005, quando mais de 9.000 carros foram incendiados por turbas: “deixaram sem poder as forças da ordem e criaram uma farsa. Abriu-se uma fossa entre a polícia e a juventude. Os vândalos são bons e a polícia é má”.

Vê-se que lá, como aqui, uma confusão conveniente entre o que é “vontade”, produto de nossas idiossincrasias, e “necessidade”, fruto de nossas insuficiências, ajudou governantes a lidarem de forma cínica com a brutalidade oriunda de manifestações coletivas.
O fim não justifica os meios. Se indivíduos ou coletividades possuem motivos para lutar por suas verdades, que respeitem os limites da lei! Estando ou não Amarildo envolvido com o tráfico da Rocinha, um exemplo muito apropriado a esta crítica, nada autorizava seu suplício. Quem o matou terá que pagar pelo que fez.

Na plenitude da democracia, insisto, tortura e terrorismo não cabem sob pretexto algum. Não há lugar para o policial que tortura e mata, não há lugar para quem “rouba em nome da ideologia”, não há lugar para Black Blocks violentos e não há lugar para quem, governando, tenta se confundir na massa, esperando não correr para o lado “errado” que de antemão não é o seu, porque não há lado certo ou errado para quem não é de lado algum
 
Publicado dia 16 de Out 2013, na Coluna Segurança em Letras - Jornal Metro
 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O MAL DA DEMOCRACIA

Imagino que o título deste artigo possa induzir o leitor a uma conclusão precipitada sobre seu conteúdo. Não sou contra a democracia, não a considero um mal. Muito pelo contrário, eu admiro e deixo patenteada a minha adesão ideológica a essa forma de governo na qual nosso país se encontra em pleno gozo. É tão somente porque ela vige que posso escrever neste espaço com a plena convicção de que não sofrerei censura prévia, e, gostem ou não do que escrevo os governos e os poderes, são eles mesmos que garantem minha permanência aqui a são e salvo de perseguições comuns aos regimes totalitários.
Mas, concordemos que tem alguma coisa muito errada na cabeça dos blackblocks no entendimento sobre ela, sobre o seu papel para a sociedade e para a organização do Estado.
Aliás, sem rodeios mais uma vez eu acuso os blackblocksde ser a nossa klukluxklan tupiniquim, cheios de ódio e da soberba suposição de donos do monopólio da verdade, onde a democracia não cabe porque seu conceito exige respeito à legalidade que ignoram.
E alerto que precisam ser refreados rápido, antes que promovam uma desgraça tão grande que faça cada um de nós se arrepender profundamente de não ter gritado a plenos pulmões contra esses greemilins,destrutivos e caóticos.
Repito! Esses criminosos precisam ser contidos! E eles precisam prestar contas de toda destruição, vandalismo e terror que andam aprontando. Precisam experimentar a punibilidade da lei que lhes refreie os impulsos incendiários e predatórios, antes que uma guerra civil travestida de movimento social se instale no Rio.
Por vinte anos o narcotráfico nos impôs um conflito armado de baixa intensidade, produzindo mortos com armas de guerra, feridos em número de guerra, e subjugando territórios e populações de nossa cidade como se houvesse invadido país inimigo, tudo porque fomos lenientes com o que parecia ser uma mera questão de ordem.
Vamos ,então, permitir que os mascarados das bombas incendiárias, dos rojões explosivos, das pedras e dos martelos em mãos, e de outros instrumentos para ferir gravemente, e até matar, encurralem o estado brasileiro no que tem de mais de legal e legítimo, a sua democracia?
Ora, acordemos! Anteontem, em São Paulo, a Polícia Civil autuou em flagrante na Lei de Segurança Nacional dois desses aspirantes a terrorista. Não sabiam? Ela ainda está valendo! Está previsto em seu artigo 20 -... incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político...Pena: 3 a 10 anos de reclusão.
Não há nenhum mal na democracia. O mal está justamente em não se respeitar sua existência.
(publicado no Jornal Metro, quarta-feira, 09 de outubro de 2013. Coluna Segurança em Letras)