sexta-feira, 30 de maio de 2008

ÔRRA MEU!!

A intenção era seguramente provocar uma detonação; um barulhaço como a explosão de uma carga de nitropenta em ambiente imediato, de maneira que balançasse e comprometesse definitivamente as estruturas do alvo.
Posso imaginar o gozo pré-saboreado pelo arautismo profissional das terras do Ôrra meu, a cada etapa bem sucedida que se dava a consecução do plano subcriminoso que os parceiros de ofício haviam decidido aplicar nos cana carioca; uma treta de responsa, preparada com requintes de profissionalismo e organização de gênero.
A parada mais difícil coubera a um dos mano mais corajosos; um dos véio mais firmeza, mais talento da rapaziada.
Constava do seguinte: o cara se alistaria pra ser samango, entraria de cara limpa na muvuca, na maior moral; ficaria infiltrado entre os alemão, tentando descobrir os lance de tudo que era usado pra que os cara virasse PM.
O voluntário, o firmeza, no maior caô se meteu entre os verme e ficou vinte e três dias só na atividade, pescando tudo, garimpando as ideia que os cana mais coroa dava nos novinho; afanando as sugestas de conceito que ouvia.
Serviço terminado, matéria de capa, e neguim comemorando:
- Aí maluco!!! Sei não, heem!!??. Vai dar Pulitzer, ta ligado?!
Mas...
Não repercutiu!
Ninguém esperava por isso na Folha de São Paulo, estou certo que não, estou apostando que não. E olha que odeio apostas!
A equipe havia traçado um plano infernal, com requintes de genialidade monstruosa. Havia de dissimulação de intenções a comportamentos sorrateiros e falsificação de ideais. Tudo com risco à saúde física e psicológica do secreta infiltrado, como se pôde depreender do próprio relato das agruras do insuspeito recruta-jornalista.
Todavia, a matéria não repercutira.
Tanto esforço e a única coisa que realmente haviam conseguido fora tornar o repórter na mais abjeta das criaturas entre as rotulações sociais: um ex-PM.
A matéria não repercutira, incrivelmente, indesejadamente e tenho uma tese para isso: acho que a população do Rio, e mesmo a de São Paulo, está cansada dessa tentativa manjada de manipulação de sua opinião. Já se foi época de se abdicar do próprio juízo em favor do jugo da intelectualidade com pretensões de pastoreio sobre as ovelhas do seu rebanho, como crêem ser os seus leitores.
A folha de São Paulo não contava com isso. RAPHAEL GOMIDE, o intruso xereta, esbaforiu-se por vinte e três dias quase pondo os bofes para fora nas “terríveis” seções de treinamento físico e ordem unida. Teve pesadelos, perdeu peso, estranhou o desconforto, a dureza da voz dos instrutores.
Um hor-ror!
Não me surpreenderia se ele recebesse um Pulizter, ou um outro prêmio desses que fazem os caçadores de premiação suspirarem como debutantes antes de baile; prêmios assim são conferidos como se dá o cômico: à gargalhada antecede o vilipêndio.
RAPHAEL GOMIDE terá, para sempre, anotações de assentamentos na PMERJ. Será, neste caso, um ex-PM. Mas vejam, só em seus assentamentos! Para nosotros, PM ou Ex-PM ele NUNCA! NUNCA SERÁ!
RAPHAEL GOMIDE participou de uma farsa. Teve a chance de fazer como George Kirkham, professor assistente da Escola de Criminologia da Flórida, que na década de setenta, movido pelo espírito científico, resolveu ingressar na polícia de Jacksonville, onde se graduou policial e por um tempo de sua vida encarnou a profissão com suas dores e gozos. O professor George queria conhecer o que a Folha de São Paulo queria, mas usaram de uma ética diferente para satisfação de suas intenções.
RAPHAEL GOMIDE teve a chance de saber muito mais da formação do Policial Militar; e de conhecer da profissão para além dos discursos que ouviu e dos treinamentos que recebeu nos curtos vinte e três dias do curso de oito meses. Perdeu a chance de entender, se levasse a cabo o curso e se formasse, o que sente um policial sob fogo dos AK-47 do narcotráfico mirando-lhe a carne por alvo; só assim saberia a diferença entre tese e tesão.
Ei! Que otário sou eu para crer que seria assim?
Acho que tem uma voz em algum lugar dizendo:
- É ruim, heem!

3 comentários:

barrim disse...

Caro TC Mario Sergio.

Quando eu li a matéria da FSP tive a segura noção que ele (Gomide) interrompeu o seu recrutamento porque nao viu o que queria ver: uma lavagem cerebral, sessões de tortura explicita, preleções escabrosas ou algo do genero que confirmasse o que alguns teoricos dos "DDHH" afirmam fazer parte de nossa formação.

Creio ainda que não repercutiu como previsto porque, no final das contas, a materia pareceu até simpatica a PMERJ.

Aproveito para convidar o Sr. a visitar meu blog:

http://www.carlosbarrim.com.br

Victor disse...

Sábias palavras, pesadas como precisaram ser, alicerçadas em grande verdade, muito bom!

Carla Cardoso disse...

Caro Cel. Mário Sérgio,
Adorei o seu "senso de humor". Minha figura de linguagem preferida sempre foi a ironia.
Agora concordo plenamente que a folha perdeu uma matéria excelente que poderia entrar para a história do jornalismo( sem ironias).
A de ter um repórter infiltrado como policial em missões nas favelas cariocas. Pensei nisso assim que li a reportagem.
Muita coisa é dita sobre os confrontos, mas nunca ninguém participou deles como um policial. Subir os morros para cobrir ações policiais é diferente, pois recebem proteção da polícia e são de certa forma seres "estranhos" ao meio, no sentido de não pertencerem a nenhum dos lados que realmente estão envolvidos diretamente na ação.A saber: traficantes, policiais e a população carente que vive e convive diariamente com essas ações.
Acho que seria uma matéria e tanto e talvez pudessem compreender e nos ajudar a compreender melhor o porquê de uma formação tão dura de um policial militar (bem digo isso baseada na matéria, pois não sei como são de fato formados, mas imagino que não seja uma formação onde aprendem a diferenciar arquitetura gótica da greco - romana, ou a reconhecer as obras primas dos pintores mais famosos, bem como também não deve ter uma pasta em que aprendam a tocar os noturnos de Chopin - de fato acho isso uma pena adoro Chopin- ).
Bem, mas eles que escolhem as pautas e as reportagens.Fica aqui o apelo de uma reles cidadã para que infiltrem alguém que de fato chegue a se tornar um pm. A sociedade civil agradeceria, pois certamente trariam coisas bem interessantes para nós.
No entanto, não sei se seria interessante para algumas autoridades políticas mostrar um jovem mal pago, em péssimas condições de trabalho( no que tange a estrutura de equipamentos e material de segurança) arriscando a vida.Pode fazer lembrar que alguns deles viraram as costas por anos - na verdade décadas - para a ocupação dos morros por grupos de narcotraficantes que durante anos vêm se abastecendo com armas cada vez mais potentes colocando em risco toda a população carioca.Onde não entra o Estado de Direito entram grupos armados que moldam um "estado" a seu reles prazer. Um Estado paralelo com leis, direitos, deveres e justiça própria,mas que só existe porque em algum momento da história o Estado falhou, errou ou se omitiu.
Que Deus te abençoe meu caro amigo,
Abraço fraterno,