Não me recordo exatamente se foi em 93 ou 94, mas me lembro bem como tudo se passou.
Havíamos realizado uma operação durante o dia na Vila Cruzeiro, a pedido do comandante do 16º BPM que andava assustado com o poder de fogo dos traficantes de drogas, do Complexo do Alemão.
Lembro-me que um atirador com fuzil fez fogo por duas ou três vezes, de uma laje, bem próximo de onde eu progredia com minha "patrulha mais”, ou seja, reforçada de cinco ou seis homens (devíamos ser uns quinze Caveiras), deslocando-nos à pé pelas ruas e becos da grande favela.
Os tiros, eu não saberia dizê-los se foram dados em nossa direção, ou em qualquer outra, como às vezes acontece e que chamamos de “guerra de barulho”. Embora os vagabundos do tráfico já dispusessem de um bom arsenal, ainda não haviam desenvolvido a cultura de enfrentamento diurno, como temos nos nossos dias, quando privilegiam o combate ao comércio de drogas e enfrentam a polícia, sempre.
De qualquer forma, eu solicitara apoio aéreo e logo uma aeronave Esquilo sobrevoava nossas cabeças, pilotada, se não me engano, pelo excelente Adonis, da Polícia Civil, que logo encurralou os marginais surpreendidos pelo desembarque espetacular do Cabo Lotério (se não me engano, também), além de outro companheiro da PC que eu não saberia dizer o nome.
Regressamos da Delegacia ao BOPE por volta das dezoito horas e nem chegamos a subir as escadarias do regimento Caetano de Farias, o antigo Quartel de Cavalaria que abrigava nossa Unidade Especial, quando recebi do Coronel Rangel a ordem de seguir para a Favela da Varginha, onde uma equipe do 22º BPM estava encurralada desde cedo. Havia suspeitas de policiais feridos, e mesmo mortos, em poder dos traficantes. Os celulares naquele tempo eram artigos de luxo e rádios transceptores portáteis só o BOPE possuía. Não havia jeito; sem comunicações para sabermos da situação da tropa na favela, só indo ao local para saber, de verdade, o que se passava: era com o BOPE mesmo!
Senti um nó na garganta.
Eu não conhecia nada da favela. Sabia só que ficava em Manguinhos e que era uma área muito pobre, de barracos misérrimos. Já era noite, não daria para fazer um reconhecimento aproximado...
Não tivemos tempo sequer de nos abastecer com munição. Partimos em alta velocidade em várias viaturas que seguiam um carro-guia, e em vinte minutos chegamos à Rua Leopoldo Bulhões, entrando por Benfica.
Foi um inferno!
Ficamos eu, falecido Sargento Retameiro e... acho que o então Cabo Vasconcelos, abrigados num poste magricelo, de luz fraquinha, enquanto as balas batiam no chão, roçando nossos pés. Os projéteis saiam em fachos de luzes traçantes das bocas dos canos dos fuzis dos narcotraficantes, que não souberam aguardar o momento e o local para uma emboscada, posto que ficamos a cerca de cem metros de suas confortáveis posições barricadas em muros e lajes das construções, e separados por um rio fétido cujas margens estavam unidas por uma ponte tipo “pinguela”, miserável, de madeira apodrecida e descadeirada.
Expulsei um combatente do 22º que se aproximara do "nosso poste" para ajudar. Seu equipamento branco, de trânsito, estava nos transformando em alvos seletos na quase escuridão do local; ele seguiu para um ponto seguro e nós fomos avançando por lanços quase irrefletidos, para onde pudéssemos nos abrigar.
Chegamos a um conjunto de casas de alvenaria e ocupamos suas lajes. Retameiro localizou um traficante e atirou em sua direção, com o FAL em intermitente. O Caveira Amaurício fez o mesmo. Um tiro acertou a caixa d’água sobre a cabeça do bandido. Ouvimos um barulho de cachoeira e um “filho da p...” do “soldado do pó” que tratou de fugir dali.
Nossos alvos de resgate estavam um pouco mais à nossa esquerda; a outra patrulha os havia localizado e tentava retirá-los. Lopasso, Everaldo “Bate-Lata” e falecido Getúlio ficaram atrás de um monte de lama endurecido, retirado do rio podre que estava sendo dragado. Notava-se que logo haveria uma ponte de verdade substituindo aquela pinguela esquálida, considerando as obras que estavam sendo iniciadas.
Pouco a pouco retiramos todo pessoal do 22º BPM que estava encurralado. Getúlio, que sequer portava fuzil, queria atravessar para o outro lado para pegar os vagabundos. Reuni o grupo para ouvir-lhes a opinião e a única dúvida sobre se deveríamos atravessar ou não veio do Cabo Lopasso. Os demais foram unânimes:
- A gente pega eles na terça-feira, meu capitão!
Não consegui dormir naquela noite. Fui para o quartel no sábado e contei meu drama para o então Tenente Ronaldo:
- Cara, cristalizei na pinguela. Que merda! Que raiva!
Ronaldo fez que não deu importância:
- Vai atravessar outras, primo! (somos primos, sim).
Voltei lá na segunda-feira com outra patrulha. Pedi ao Coronel Rangel e ele autorizou que eu voltasse ao meu inferno particular, com algumas recomendações sobre o cuidado com a população inocente. Fizemos o mesmo trajeto, beco a beco; poste a poste, laje a laje até chegarmos à pinguela.
A tropa ficou me olhando. Ninguém dizia nada. As ruas vazias, estranhamente vazias. Pensei e falei para mim mesmo: - É emboscada!
Mas precisava atravessar a pinguela. Era questão de honra! Eu estava preso às minhas pernas, aos meus receios, aos gritos dos traficantes naquela noite de sexta-feira:
- Aí, bota a cara mermão! Vai voltá gelado, hem ?!! – Bota a cara seus verme!
Eu tinha que atravessar a pinguela.
Senti uma mão no meu ombro. Era Jorge “Bocanca”, Cabo do BOPE, pára-quedista militar, discípulo de mestre Zé-Pedro, o velho Zé, 1º Sargento à época, hoje capitão QOA reformado e trabalhando mais na equipe de instrução do BOPE, gratuitamente, do que qualquer um que por lá tenha passado.
Era Jorge “Bocanca” que me ladeou e disse:
- Posso atravessar meu capitão, se o senhor fizer minha cobertura. O senhor conta até três.
- Vai, Jorge. Eu faço tua cobertura e te sigo. - falei sem pestanejar.
Atravessamos a pinguela com ele fazendo a ponta e eu o segundo homem. Não houve tiros.
Já voltei lá muitas vezes. Comandei, anos depois, o 22º BPM e participei de pelo menos dois combates pesados ali, como Comandante da Unidade. Numa vez, perdemos um soldado e matamos um traficante. Acho que estavam comigo os majores Louzada e Parrini.
Não voltei mais lá com Jorge “Bocanca”.
Estivemos juntos na semana que passou. Ele precisa agora atravessar uma outra pinguela. Talvez seja a pior da vida dele.
Não quero saber. Estou com ele. Jorge Bocanca não fez julgamentos sobre se eu merecia ou não o risco da vida dele.
Vou fazer a ponta e ele vai atravessar.
Tenho fé em Deus!
Tenho fé em “Bocanca”
Ele tem fé em nós .
- No tempo três, Sargento Jorge:
Havíamos realizado uma operação durante o dia na Vila Cruzeiro, a pedido do comandante do 16º BPM que andava assustado com o poder de fogo dos traficantes de drogas, do Complexo do Alemão.
Lembro-me que um atirador com fuzil fez fogo por duas ou três vezes, de uma laje, bem próximo de onde eu progredia com minha "patrulha mais”, ou seja, reforçada de cinco ou seis homens (devíamos ser uns quinze Caveiras), deslocando-nos à pé pelas ruas e becos da grande favela.
Os tiros, eu não saberia dizê-los se foram dados em nossa direção, ou em qualquer outra, como às vezes acontece e que chamamos de “guerra de barulho”. Embora os vagabundos do tráfico já dispusessem de um bom arsenal, ainda não haviam desenvolvido a cultura de enfrentamento diurno, como temos nos nossos dias, quando privilegiam o combate ao comércio de drogas e enfrentam a polícia, sempre.
De qualquer forma, eu solicitara apoio aéreo e logo uma aeronave Esquilo sobrevoava nossas cabeças, pilotada, se não me engano, pelo excelente Adonis, da Polícia Civil, que logo encurralou os marginais surpreendidos pelo desembarque espetacular do Cabo Lotério (se não me engano, também), além de outro companheiro da PC que eu não saberia dizer o nome.
Regressamos da Delegacia ao BOPE por volta das dezoito horas e nem chegamos a subir as escadarias do regimento Caetano de Farias, o antigo Quartel de Cavalaria que abrigava nossa Unidade Especial, quando recebi do Coronel Rangel a ordem de seguir para a Favela da Varginha, onde uma equipe do 22º BPM estava encurralada desde cedo. Havia suspeitas de policiais feridos, e mesmo mortos, em poder dos traficantes. Os celulares naquele tempo eram artigos de luxo e rádios transceptores portáteis só o BOPE possuía. Não havia jeito; sem comunicações para sabermos da situação da tropa na favela, só indo ao local para saber, de verdade, o que se passava: era com o BOPE mesmo!
Senti um nó na garganta.
Eu não conhecia nada da favela. Sabia só que ficava em Manguinhos e que era uma área muito pobre, de barracos misérrimos. Já era noite, não daria para fazer um reconhecimento aproximado...
Não tivemos tempo sequer de nos abastecer com munição. Partimos em alta velocidade em várias viaturas que seguiam um carro-guia, e em vinte minutos chegamos à Rua Leopoldo Bulhões, entrando por Benfica.
Foi um inferno!
Ficamos eu, falecido Sargento Retameiro e... acho que o então Cabo Vasconcelos, abrigados num poste magricelo, de luz fraquinha, enquanto as balas batiam no chão, roçando nossos pés. Os projéteis saiam em fachos de luzes traçantes das bocas dos canos dos fuzis dos narcotraficantes, que não souberam aguardar o momento e o local para uma emboscada, posto que ficamos a cerca de cem metros de suas confortáveis posições barricadas em muros e lajes das construções, e separados por um rio fétido cujas margens estavam unidas por uma ponte tipo “pinguela”, miserável, de madeira apodrecida e descadeirada.
Expulsei um combatente do 22º que se aproximara do "nosso poste" para ajudar. Seu equipamento branco, de trânsito, estava nos transformando em alvos seletos na quase escuridão do local; ele seguiu para um ponto seguro e nós fomos avançando por lanços quase irrefletidos, para onde pudéssemos nos abrigar.
Chegamos a um conjunto de casas de alvenaria e ocupamos suas lajes. Retameiro localizou um traficante e atirou em sua direção, com o FAL em intermitente. O Caveira Amaurício fez o mesmo. Um tiro acertou a caixa d’água sobre a cabeça do bandido. Ouvimos um barulho de cachoeira e um “filho da p...” do “soldado do pó” que tratou de fugir dali.
Nossos alvos de resgate estavam um pouco mais à nossa esquerda; a outra patrulha os havia localizado e tentava retirá-los. Lopasso, Everaldo “Bate-Lata” e falecido Getúlio ficaram atrás de um monte de lama endurecido, retirado do rio podre que estava sendo dragado. Notava-se que logo haveria uma ponte de verdade substituindo aquela pinguela esquálida, considerando as obras que estavam sendo iniciadas.
Pouco a pouco retiramos todo pessoal do 22º BPM que estava encurralado. Getúlio, que sequer portava fuzil, queria atravessar para o outro lado para pegar os vagabundos. Reuni o grupo para ouvir-lhes a opinião e a única dúvida sobre se deveríamos atravessar ou não veio do Cabo Lopasso. Os demais foram unânimes:
- A gente pega eles na terça-feira, meu capitão!
Não consegui dormir naquela noite. Fui para o quartel no sábado e contei meu drama para o então Tenente Ronaldo:
- Cara, cristalizei na pinguela. Que merda! Que raiva!
Ronaldo fez que não deu importância:
- Vai atravessar outras, primo! (somos primos, sim).
Voltei lá na segunda-feira com outra patrulha. Pedi ao Coronel Rangel e ele autorizou que eu voltasse ao meu inferno particular, com algumas recomendações sobre o cuidado com a população inocente. Fizemos o mesmo trajeto, beco a beco; poste a poste, laje a laje até chegarmos à pinguela.
A tropa ficou me olhando. Ninguém dizia nada. As ruas vazias, estranhamente vazias. Pensei e falei para mim mesmo: - É emboscada!
Mas precisava atravessar a pinguela. Era questão de honra! Eu estava preso às minhas pernas, aos meus receios, aos gritos dos traficantes naquela noite de sexta-feira:
- Aí, bota a cara mermão! Vai voltá gelado, hem ?!! – Bota a cara seus verme!
Eu tinha que atravessar a pinguela.
Senti uma mão no meu ombro. Era Jorge “Bocanca”, Cabo do BOPE, pára-quedista militar, discípulo de mestre Zé-Pedro, o velho Zé, 1º Sargento à época, hoje capitão QOA reformado e trabalhando mais na equipe de instrução do BOPE, gratuitamente, do que qualquer um que por lá tenha passado.
Era Jorge “Bocanca” que me ladeou e disse:
- Posso atravessar meu capitão, se o senhor fizer minha cobertura. O senhor conta até três.
- Vai, Jorge. Eu faço tua cobertura e te sigo. - falei sem pestanejar.
Atravessamos a pinguela com ele fazendo a ponta e eu o segundo homem. Não houve tiros.
Já voltei lá muitas vezes. Comandei, anos depois, o 22º BPM e participei de pelo menos dois combates pesados ali, como Comandante da Unidade. Numa vez, perdemos um soldado e matamos um traficante. Acho que estavam comigo os majores Louzada e Parrini.
Não voltei mais lá com Jorge “Bocanca”.
Estivemos juntos na semana que passou. Ele precisa agora atravessar uma outra pinguela. Talvez seja a pior da vida dele.
Não quero saber. Estou com ele. Jorge Bocanca não fez julgamentos sobre se eu merecia ou não o risco da vida dele.
Vou fazer a ponta e ele vai atravessar.
Tenho fé em Deus!
Tenho fé em “Bocanca”
Ele tem fé em nós .
- No tempo três, Sargento Jorge:
Um, dois, três...CAVEIRA!
22 comentários:
Lindo Cel, muito lindo e estou meio sensível hoje para ficar falando sobre assuntos que dizem respeito a sentimentos.
Confiar significa acreditar, ter fé.
Felizmente nunca estive em situações de risco onde minha vida dependesse diretamente de uma pessoa e quando a gente acredita em alguém a esse ponto a gente quebra a barreira do companheirismo, do coleguismo e alçamos a amizade.
Freud disse que a amizade era o amor sublimado em sua origem... Devia estar certo porque a amizade nos faz ter um elo com o outro que rompe barreiras e trincheiras impostas pela distancia, cor, credo ou classe.
E esse Jorge Bocanda é um homem de sorte, pois podemos perceber que o senhor tem uma grande estima por ele e a recíproca com certeza é verdadeira, pois caso contrario, não confiaria a vida dele a sua guarda naquela favela.
Não o conheço, não sei o que está passando, mas a partir de hoje ele estará todos os dias em minhas humildes orações ao Pai Celestial, como estão todos os meus amigos. Os que estão perto ou distantes, os que às vezes amo e às vezes me irritam, os que às vezes quero do meu lado e às vezes distantes de mim.
Não importa como, a amizade nos dá a certeza que nos pertencemos, pois sei que meus amigos foram anjos que o Pai colocou por perto para me ajudar no caminho.Me animar quando eu fraquejar, me reprimir quando eu errar, me abraçar quando eu chorar, e me mostrar que as pedras e os espinhos não podem ser retirados, pois foram postos ali para aprendermos e nos aprimorarmos na nossa passagem por este plano.
Um abraço fraterno,
Caro Mário,
Meu nome é Sérgio Pires, sou jornalista em Portugal e estou fazendo uma matéria sobre os BOPE. Gostaria de entrar em contato com você. Aqui fica meu e-mail (não consigo aceder ao seu), para lhe explicar com mais detalhe o conteúdo da matéria e porque gostaria muito de contar com suas declarações.
E-mail:
sergiomcpires@clix.pt
Um abraço,
SP
O coração do líder nos emociona, o destemor nos encoraja, a sensibilidade nos torna mais humanos. Espero que nunca se abstenha de assumir o lugar que te pertence. A crítica sensata, a guerra pela paz e honradez, o comando das ações e a responsabilidade pela auto-estima da tropa ainda são umas de suas atribuições.
Quando a missão for cumprida, retorne. Essa chama ainda nos pertence.
Força e honra!
Dois grandes amigos, o Matias e o Neto incursionavam no vale das sombras quando encontraram um capitão triste e sem esperança. E dentre as figuras pútridas e horrendas questionaram para seu ex-comandante: Meu capitão, porque estais assim?
Ouviram atentamente porém aguardando uma resposta que mais se aproximasse com a realidade do entorno:Faltam-me as esperanças. Aqueles que têm honra estão sem brilho, sem alma. Assim estão fadados ao fracasso em suas empreitadas.
Surpresos os dois tenentes se entre olharam e pensaram: Mas nós somos o futuro.
Hoje, o Neto deve estar a direita de Deus pai. O outro ganha a vida com cultura. Por onde anda o Capitão?
Agradecendo os comentários sobre o texto, reitero a intenção de explicitar a coragem e o despreendimento do sargento Jorge, do BOPE.
"Bocanca", como o chamamos no nosso "círculo de guerra", é quem de fato merece nosso reconhecimento.
Todo Caveira formado de 1988 para cá, deve parte do seu conhecimento a ele, seja Praça ou Oficial.
Eu devo mais que do isso, como exibi aqui.
Força e honra!
- Senti uma mão no meu ombro. Era Jorge “Bocanca”, Cabo do BOPE, pára-quedista militar.
ORAÇÃO DO PÁRA-QUEDISTA
Dai-me Senhor meu Deus o que vos resta,
Aquilo que ninguém Vos pede.
Não Vos peço o repouso nem a tranqüilidade.
Nem da alma, nem do corpo.
Tantos Vos pedem isso, meu Deus,
Que já não Vos deve sobrar para dar.
Dai-me Senhor meu Deus o que Vos resta,
Aquilo que os outros não querem.
Quero a insegurança e a inquietação.
Quero a luta e a tormenta.
Dai-me isso, meu Deus, definitivamente,
Porque nem sempre,
Terei a coragem de vo-la pedir.
Dai-me Senhor meu Deus o que Vos resta,
Aquilo que ninguém Vos pede
Mas dai-me também,
A coragem,
a força e
a fé!
Salve Cabo Bocanca. Boa sorte e muita fé.
Fé de pára-quedista. Fé de guerreiro do BOPE.
No espaço você cumpriu a missão dos Condores. No combate em terra foi guia e escudo do seu comandante.
Vai atravessar essa pinguela. Nada é por acaso.
Fique pronto e atento ao seu Mestre de Salto.
Seu ponta agora é seu capitão-comandante, grato por sua coragem no passado.
Vá!
Seu Mestre de Salto é Jesus.
Siga-O!
Então tá!
É de suma importância que toda a população saiba onde estão ocorrendo as falsas queixas de Roubo a Transeunte na modalidade celular/nextel e documentos; em quais bairros os vizinhos se xingam mais, discutem mais, se agridem mais; quantas famílias não têm estrutura para educar seus filhos; quantas quedas dentro de coletivos para gerar renda através do DPVAT e da indústria do Dano Moral; das autolesões; a quantas andam nossos cidadãos caluniadores, injuriadores, difamadores, nºs, nºs, nºs...
Em vez de gastar tempo contabilizando números, por que não contratar 10 mil novos policiais civis e militares pagando salários decentes?
Não. É melhor que a população se mantenha informada dos nºs, para que ela evite este ou aquele local. É mais barato! Instalem out doors eletrônicos nesses locais informando " Alto índice de criminalidade " " O tráfico flui bem neste momento nos seguintes bairros " " Estão ocorrendo intensos tiroteios nas seguintes localidades " " Até agora tantas pessoas foram mortas em confrontos e por balas perdidas "...
Enquanto as polícias estiverem ocupadas com ocorrências ridículas, em sua maioria de baixo potencial ofensivo cujas queixas poderiam ser prestadas nos Fóruns, a bandidagem vai reinar lépida e fagueira. Enquanto os cidadãos puderem "exigir" que o policial o atenda e registre seu caso, seja através de um Brat, TRO ou RO para que, de posse deste papel ele entre com uma ação para indenização por danos morais, as polícias não terão como combater a criminalidade plenamente, seja patrulhando ou investigando. Mudemos as leis. Quebremos paradigmas.
Quem pode informar estatísticamente quantos dos cidadãos que ocuparam a PM e/ou a PC, hospitais,IMLs,CBERJ,ICCE,Justiça com suas questiúnculas de fato compareceram ao Fórum? Quantas dessas milhões de queixas redundaram em punição? Quantas foram arquivadas? Quantos policiais foram acionados em vão para tais ocorrências? Gastaram quanto tempo em vão? Quantas toneladas de papel jogadas fora? Para quê?
Temos de combater a criminaliade! Essa coisa de " Sr. Comandante do Batalhão X, informo que na rua tal, bairro tal ocorreu um roubo de nextel. Favor tomar providências" ou " Sr. Diretor do Detran, favor tomar providências cabíveis para o fato de fulano de tal ter seus documentos de identidade, de seus três veículos e CNH furtados. Ah! e não cobre pelas segundas vias " isso é uma perda de tempo e dinheiro! O cidadão merece respeito e ser bem atendido SIM!
Mas os que usam as polícias para aplicar pequenos golpes utilizando dos registros que fornecemos, estes merecem punição. Deixemos de ser ingênuos! O mesmo com as empresas que " exigem" que seus clientes apresentem um "BO" para serem atendidos por elas, em muitos casos induzindo-os a prestarem comunicação falsa de crime, ídem.
Abaixo a Lei 9099/95!
Investigação e punição para pessoas e empresas que ocupam a polícia com interesses escusos!
Dedicação total dos policiais a combater somente os crimes cujas penas culminem em prisão!
Ah! Fora Sérgio Cabral!
Se é Cabral, tô fora!
Funcionários estaduais NÃO votam em SC do PMDB!
E salários dignos já!
Vejam mais:
http://policiaqueprecisamos.blogspot.com
Caro Cel. Antes de tudo, quero dar-lhe os parabéns pela presidência do ISP, mas não seria uma típica "aporia parmenidéia" um combatente de sua envergadura sentar-se atrás de uma mesa? O Sr. teve mêdo de morrer ao cruzar a pinguela? Pode ser que seja uma pergunta cuja resposta esteja subentendida no texto...sempre ouvi dizer que a um caveira "é proibido morrer em combate", mas o "fator pinguela" é algo mais profundo do que expressões voluntaristas ou o treinamento de excelência do BOPE, não é mesmo? A sensibilidade de sua tropa de então é admirável, pois sua liderança e auto-estima foram resgatadas por eles, o "jorge bocanga" especialmente. Por isso é que todos têm de voltar do combate, vivos ou mortos, com o espírito de grupo e liderança intocados. Ao menor arranhão de um só deles, é preciso voltar ao combate e resgatá-lo, lá onde ficou. Parabéns pela sua humanitude.
EL CURA PEREZ
Prezado El Cura Perez
Teríamos cruzado a pinguela naquela noite, mesmo sob fogo, se houvesse tropa encurralada. A responsabilidade abafaria todos os temores.
Sargento Jorge Bocanca é o grande soldado que homenageio nesse texto. A história é real. Todos os nomes são reais. Todos os sentimentos são reais.
Estou no ISP de passagem. Estou na PM de passagem. Estou na vida de passagem.
Obrigado por passar por aqui.
Força e honra!
O que impede de na PMERJ ser assim ?
Isso nos dar melhor condição de vida...isso é incentivo também
11/12/2007 - ASCOM/PCERJ
Foi realizada nesta terça-feira, (11/12), às 10h da manhã, na Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol), a assinatura de um convênio entre a Polícia Civil e a empresa de plano de saúde Dix Assistência Médica LTDA. Com essa parceria, os policiais civis terão planos com descontos entre 31% e 69% em relação aos que são cobrados pela empresa no mercado. Esse benefício também vai valer para mãe, pai e filhos.
O convênio, que por enquanto vai contemplar somente os policiais da ativa, faz parte do projeto Bem-Estar Familiar de Valorização do Policial Civil que integra o Planejamento Estratégico "Fazendo a Melhor Polícia", realizado pela Chefia de Polícia.
“Agora finalmente está valendo. Agora é verdade. Assinamos aqui, esse convênio”, resumiu o chefe de Polícia, demonstrando satisfação, tranqüilidade e a sensação de dever cumprido ao atender à reivindicação da categoria que já durava há mais de uma década.
- É importante que a grande massa de policiais venha a participar. Foi o plano de saúde que melhor atende os anseios da categoria. De uma forma geral, com esse convênio, nós conseguimos atingir todos os benefícios que precisamos - comentou o chefe de Polícia.
O importante, agora, é que pelo menos três mil policiais e dependentes possam aderir ao plano para que tenham direito à assistência médica já a partir do dia 10 de janeiro de 2008, salientou Gilberto Ribeiro.
Gilberto Ribeiro elogiou a atuação da delegada Vanessa Boechat, presidente da Comissão Permanente de Licitação da Polícia Civil pelo empenho e dedicação no processo de negociação com as empresas de planos de saúde até escolher a operadora que melhor se adequasse aos interesses da categoria.
Haverá cobrança de dez reais (R$ 10) como taxa de implantação. Para quem quiser atendimento de urgência em viagens, inclusive internacionais, terá que pagar quatro reais (R$ 4) por beneficiário.
ASSISTÊNCIA DENTÁRIA SAI POR R$ 10
Além do plano de saúde, esse convênio com a DIX oferece também duas modalidades de assistência odontológica. Os valores mensais, por cada beneficiário, serão de R$ 10,90, para o plano básico e de R$ 12,90, no que dá direito a procedimentos mais especializados.
O plano Dental I prevê os procedimentos básicos que são exigidos pela ANS ( Agência Nacional de Saúde) como obturação e limpeza e tratamento de canal. Esse tipo de plano custa no mercado entre R$ 15 e R$ 25. O policial que quiser um melhor, poderá optar pelo Dental II, que cobre, por exemplo, alguns procedimentos de órtese.
Representantes da DIX vão às delegacias em todo o Estado do Rio para cadastrar os interessados nos planos de saúde e dentário, o que também poderá ser feito na sede da Chefia de Polícia Civil, na rua da Relação, 42, Centro.
Tudo isso chega a ser épico ...
“APORIA
Do gr. aporia, “caminho inexpugnável, sem saída”, “dificuldade”.1. Dificuldade, impasse, paradoxo, momento de auto-contradição ou que impede que o sentido de um texto ou de uma proposição seja determinado. Na filosofia grega antiga, o termo começou por servir para designar contradições entre dois juízos (o que se chamaria depois, com mais propriedade, antinomia). Na filosofia de Zenão de Eleia, por exemplo, podemos falar de aporias nos juízos sobre a impossibilidade do movimento. Mais tarde, designaram-se alguns diálogos platónicos como “aporéticos”, isto é, inconclusivos. Ao estudo das aporias chama-se aporética. Aristóteles definirá a aporia como uma “igualdade de conclusões contraditórias” (Tópicos, 6.145.16-20).
O termo é utilizado com frequência por alguns descontrucionistas como Jacques Derrida e Paul de Man, que, de alguma forma, são responsáveis pela sua imposição dentro da teoria literária pós-estruturalista. A aporia é identificada pela leitura desconstrutiva do texto, que terá como fim mostrar que o sentido nele inscrito atingirá invariavelmente o nível da indeterminação ou da indecidibilidade.”
Obserando o perfil do blogueiro e o comentário do El Cura Perez percebo que o impasse entre o dinamismo do mundo em Heráclito e a imobilidade deste em Parmênides, conhecido como a aporia parmenidéia, só foi resolvido satisfatoriamente por Aristóteles e Mário Sérgio.
Abraços,
T.R.I.
Caro Cel. Mário Sérgio,
Geralmente eu não atentaria muito para a frase "estou na vida de passagem", que reflete uma noção comum nas pessoas sensíveis. No seu caso, algo me impressionou, e eu penso ser o seguinte: já li belas histórias como as suas, mas passadas há muito tempo. Geralmente, os personagens são heróis mortos há décadas ou séculos. Às vezes, o senhor me parece uma ressurreição dos meus heróis do século XIX (parece que já o vi nos livros sobre o Almirante Saldanha da Gama). É interessante vê-lo ainda passando na vida, pois o senhor é diferente deste tempo. E talvez não seja uma característica sua, mas das instituições militares e sua cultura peculiar. Elas vivem e representam valores que têm sido desdenhados e esquecidos. O senhor sabe expressá-los muito bem.
Se puder nos contar mais histórias bonitas como esta, faça-nos o favor.
Alguns se tornam uma lenda por serem como o inesquecível "Bichão" ou o admirável "Leão", mas outros aos poucos por resgatarem vidas e esperanças.
Um conhecido psiquiatra autor de “Pais Brilhantes & Professores fascinantes" nos lembrou: “Estimados educadores, temos de ter em mente que os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Mas não é possível ser forte sem perceber nossas limitações."
Um viva a "aporia parmenidéia"!!!!
T.R.I
Existe uma boa parcela da PM que não está nem um pouco interessada em aumento salarial, melhora da auto-estima dos policiais, etc.,et., o que lhes interessa é continuar a ver o contribuinte, ainda que infrator do Código de Trânsito, como um "caixa eletrônico" que eles realizam saques durante todo o dia. O que os motociclistas da PM, com exceção do GETEM, têm feito no Aterro do Flamengo, no Castelo, Lapa e Av. Brasil e adjacências é escandaloso e imoral, além de obviamente ilegal e irregular. As denúncias já foram muitas e solução dos Comandos das Unidades destes motociclistas nenhuma. Ou há omissão ou há conivencia, o que não há é qualquer dúvida que isso aconteça aos olhos de todos. As motos da PM "caçam" carros velhos com IPVAs e vistorias atrasadas com n auxílio de seus palm-tops conectados à rede do DETRAN para fazerem seu "pé-de-meia" diário. Esses são os verdadeiros anti-heróis da PM , mas até hoje não houve, mesmo após reclamações nos principais jornais sobre o asunto, qualquer atitude por parte dos atuais e antigos Comandos destes saqueadores do povo. E dizer que os infratores são coniventes? Ninguém anda com o carro com a documentação atreasada por prazer. O que há é uma crise financeira terrível que assola principalmente os mais pobres, donos de carros mais antigos e que são os principais alvos destes "caçadores". A estes não interessa uma PM correta. É uma pena que os verdadeiros guerreiros e heróis da PM não "sufoquem" estes vagabundos que mancham diariamente o nome da Corporação. É uma pena que o espírito corporativista ainda prevaleça. Este achaque diário é que realmente desmoraliza a PM junto a população.
Cansei de defender as polícias, em especial a PM, em um blog voltado para o assunto que eu mantinha ( o Falando a Verdade!) com cerca de 4 mil acessos diários e que fui obrigado a tirar do ar devido à ameaças de traficantes e de maus policiais à mim e minha família.
Segadas Vianna
Que Deus o abençôe e a toda sua
família.
O Sr. Cel. é um exemplo que certamente, eu irei seguir,
mesmo que custe a minha vida...
Por várias vezes o vi passar por
mim, por várias vezes pensei em
pará-lo e cumprimetá-lo por sua inteligência, competência e trabalho e acima de tudo pelo exemplo de caminho que pretendo seguir, talves pelo fato da diferênça hieráquica, talvez pelo misto de receio e admiração por tudo que um oficial como o Sr. representa para a nossa polícia militar, talvez por tudo isso eu não o tenha incomodado.
Enfim, saiba Sr. Cel. Mário Sérgio,
que esse " comandado " que vos fala, promete honrar a tudo quanto o Sr.
defende, força e honra!
Amigo Raul
Não quero te desapontar com o que vou dizer, considerando o seu elogioso comentário acima, através do qual você me honra com a presença em meu blog.
É que, meu prezado companheiro, definitivamente não sou merecedor dos elogios. Sou um sujeito absurdamente comum, com seus defeitos e com algumas qualidades até e, por certo, de medida imprecisa.
Tenho aproveitado esse espaço "cibernético" de comunicação Raúl, para promover reflexões sobre Segurança Pública a partir de pontos de vista deslocados do "círculo de idéias" promovido pelas chamadas "ciências sociais", e, também, para exaltar meus companheiros de profissão que escrevem diariamente páginas heróicas de grandeza incomensurável, tão anônimas quanto o desprezo e a indiferença que lhes retribuem os destinatários dos seus benefícios.
Evito fazer dele um espaço de ódios, rancores ou ressentimentos, não obstante permitir a polêmica e o contraditório das idéias.
Mas, prezado companheiro, não me veja como merecedor de sacrifícios; e menos ainda como possuidor de virtudes desejáveis.
Eu escrevo aqui Raul, não para exibir o que certamente não tenho, mas para me lembrar de que não ter não é vergonha e sim condição essencial que a necessidade promove para a emulação e a vontade.
Sou só um aluno da vida, meu amigo. Hoje estou aqui no ISP. Amanhã vou estar onde a Providência quiser.
Apareça para tomar um café.
Mesmo sendo desconcertante receber elogios tão honrosos gostaria de afirmar que todos são merecedores.
Observando suas atitudes e histórias, e olha que já passaram mais de trinta anos, ainda me surpreendo e afirmo que se fossem escritas e publicadas dariam certamente um best seller. Você é uma fonte inspiradora principalmente para os momentos de crise. Quando não consigo em meu próprio juízo arrancar atitudes mais elevadas, justas sem sacrificar os meus valores e sentimentos fico tentando relembrar as suas ou tentando descobri-las.
Sinto-me frustrado por conseguir este feito em raríssimos momentos. A tentação de provar a honradez e o orgulho por motivos fúteis ou tomar decisões contrárias ao bem social comum e humanitário para o meu próprio desejo ou para o agrado de amigos e parentes quase sempre são fontes de fraquezas tanto para mim quanto para os meus iguais. Desculpe-me a franqueza mais muitas vezes você parece um alienígena neste mundo cão. Graças a Deus que ainda esteja vivo e pronto para salvar os grandes e os fracos. Um viva ao “Bocanca” um viva aos heróis!
Um grande abraço,
FDR.
Aproveito o blog deste grande policial, deste grande Caveira, para fazer uma homenagem a um dos policias militares mais sérios e dinâmicos deste estado e que um dia, para termos a polícia que nós queremos, gostaria de ver à frente do Comando Geral da PM.
Segadas Vianna
Coronel,
A modéstia é uma grande virtude, que o senhor nunca vai perder. Mas a admiração que o senhor suscita nas pessoas - subordinados ou não - tem uma causa. E, complementando o que eu disse antes, a causa pode ser a sua capacidade de encarnar e expressar valores infelizmente desdenhados na sociedade atual. Por exemplo: lealdade, destemor, integridade, força, honra...
E mais: a lucidez e a coragem de dizer a verdade, contrariando preconceitos estabelecidos como o "politicamente correto".
Entendo muito bem que as pessoas se sintam inclinadas até a fazer sacrifícios, não por um comandante, mas pelo que ele representa.
O seu trabalho e o seu sucesso são a nossa esperança de que tempos melhores estão chegando.
Caro Cel.
Sou Sobrinho do falecido Sgt Retameiro, e fico feliz por sua ilustre memória estar citatada em seu relato.
Parabéns A Vocês, "HERÓIS do Dia-a-Dia" Que todos os dias encaram essa Guerra civil. Expondo a própria vidaem nome da segurança pública.
Meus Parabéns.
Ass: Thiago felipe(Filho do falecido Sgt. Waldeci e Sobrinho do falecido Sgt. Retameiro)
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