sábado, 5 de julho de 2008

Alvíssaras

Recebi a notícia por volta das dezessete horas. Ouvi na rádio, numa chamada extraordinária marcada pelo tom aliviado do locutor que anunciava o esperado há anos por milhões de pessoas em todo mundo, gente nutrida de esperança e fé luminares da confiança por um desfecho feliz, daquilo que se tornara uma verdadeira agonia coletiva e transnacional.

Confesso que particularmente receei que já não houvesse tempo. Temi que pudéssemos não mais sabê-la viva, após tantos anos de cativeiro insular na selva inóspita, padecendo de doenças e privada de contato com o mundo.

Não são poucos os que desapareceram para sempre, vítimas das intransigências que encontramos sob diferentes formas e matizes ideológicos. Pessoas que sumiram sem deixar rastros, como que abduzidas para outro sistema estelar, inatingível àqueles que pelo resto da vida irão tatear cada milímetro ao seu alcance e usar cada segundo de suas existências, seguindo, incansavelmente, cada pista ou rastro dos desaparecidos, os privados criminosamente de sua liberdade.

Temi que jamais pudéssemos receber a boa notícia da libertação de Ingrid Betancourt. Temi que jamais soubéssemos até do paradeiro dos seus restos mortais. Diante da inexorabilidade do assassínio, algum conforto existe no sepultamento digno do imolado.

Mas Ingrid Betancourt foi liberta.

Para alívio e alegria de milhões, entre os quais me incluo. Ingrid Betancourt, cidadã franco-colombiana, atenção do mundo, foi resgatada das mãos dos seus aprisionadores, sã e salva.

Sua aparência é boa. Suas primeiras palavras não denotaram ódio, mas alegria e gratidão aos seus libertadores.

Sua soltura, além de toda felicidade que promove nos corações aflitos dos que lhes dedicaram orações, e dirigiram vibrações mentais de otimismo formando uma corrente de crença e positividade, deve acarretar uma série de inferências a partir das muitas considerações que o evento suscita.

O arrebatamento da ex-Senadora colombiana das garras do terror narco-marxista das FARCs, deve estimular, para além das fronteiras das Colômbia, a discussão sobre estratégias de enfrentamento da violência deliberada e ideologizada, assumida como ferramenta de pressão e poder.

Torço para que nós brasileiros nos engajemos nessa discussão. Temos problemas aqui, hoje, tão graves quanto os da Colômbia em passado recente, marcadamente no que diz respeito à perda de soberania de micro-áreas do território (as favelas do Rio de Janeiro são o maior exemplo) para bandos militarmente armados e igualmente negociadores de drogas ilícitas.

Como por longo tempo ocorreu à Colômbia, nosso país se permitiu pautar pelos discursos sedutores da justificativa do crime e da criminalidade como resultantes das desigualdades sociais entre as classes estratificadas em luta permanente entre si. Presos à crença de uma dívida histórica herdada pela criminalização dos pobres, promotora inconsciente de uma culpa coletiva misógina, políticos com responsabilidades executivas de Estado e gestores de Segurança Pública encolheram-se diante dos desafios de contenção da criminalidade violenta em expansão, principalmente aquela que mais merecia suas atenções em razão da exibição franca de ethos belicoso, construído na idéia coletiva de facção com pretensões de representação social-simbólica.

Vivemos os últimos vinte anos assistindo a colombinização do Brasil; alías, colombinização nos moldes da antiga Colômbia, não a de hoje, aquela da desordem e do medo criados pelos ELN, Cartéis, ADUC e FARCS. Em vinte anos nos permitimos o CV, o ADA, o TCP, o PCC e as Milícias, além daquelas outras facções ainda não armadas, mas desrespeitadoras das leis e da ordem constitucional, como o Movimento Sem-Terra, declaradamente incentivador de uma revolução fratricida que implante no país o sistema político-econômico que lhe apetece.

Que a determinação da Colômbia (Vejam! Não apenas a de Álvaro Uribe Vélez, seu presidente, mas da maioria do seu povo!) para reconquista da ordem que reconduza a nação a um definitivo e salutar estado de tranqüilidade pública e paz social, possa contaminar o Brasil.

Que possamos compreender da necessidade de participarmos ativamente das discussões sobre violência, segurança, lei e ordem, exigindo das autoridades posturas compatíveis com o Accountability decorrente de suas investiduras. Em nosso país, infelizmente, responsabilidade é expressão vazia para muitos detentores do poder. Trabalhamos apenas com a precariedade dos conceitos culpa e dolo. Se fosse diferente, se a profundidade que nos permite a perscrutação filosófico-sociológica da responsabilidade dos mandatários existisse, e não somente aquelas dos executores na ponta da patrulha, todos esses governantes que permitiram que o Rio de Janeiro chegasse ao ponto que chegou, deveriam responder pelo “que” e “quanto”, devem ao povo por suas omissões e excentricidades demagógicas.

Claro, não objetivo aqui declarar que conflitos de ordem político-ideológica não possam ser mediados por ações diplomáticas. Aliás, podem e convém o quanto possível. Todavia, o que não convém, em nenhuma situação e sob nenhuma hipótese, é a afazia frente ao delito apenas porque esse assume forma coletiva suscitadora de teses permissivas, justificadoras de práticas odiosas apresentadas sob o argumento das construções sociais e lingüísticas.

Não podemos, pois, aceitar a existência do narcotráfico coletivo, belicoso, impostor se apoderando de espaços públicos e infligindo à população dominação e apatia espiritual.

Precisamos do engajamento de todas as expressões do poder legal na luta contra esse flagelo e, aí, especialmente das instituições com capacidade de enfrentamento das armas de guerra do tráfico. Por que não a participação do Exército Brasileiro?

Na Colômbia de Uribe o exército nacional patrulha ruas, resgata seqüestrados e promove segurança; vi isso com meus próprios olhos.

Em nosso país, diante da hipótese de se combater o narcotráfico com o emprego do Exército Brasileiro, logo se insurgem vozes esganiçadas de forte apelo ideológico subliminar em sentido contrário a atuação da Força Terrestre, enquanto, por outro lado, o Exército é obrigado a expor-se sem poder de polícia, ao chiste de narcotraficantes incomodados com sua forte presença em “seus territórios”, para lamentável atendimento de ambições políticas irresponsáveis; e, diante da tragédia anunciada, conseqüência do equívoco de se supor uma convivência harmoniosa entre a ordem das armas legítimas e a subcultura do desrespeito a qualquer poder que não se identifique na simbologia do narcotráfico, extrai-se a força regular sob remoques, politizando-se a estupidez criminosa de alguns membros do Corpo – que devem e serão levados a julgamento por seus atos – para atiçar anátema a todo Corpo, como se ente estranho ao ser nacional.

O narcotráfico bélico dos nossos dias é um grande mal. Tenha inspiração capitalista ou marxista, é um mal; um mal terrível que seduz, escraviza, manipula e destrói, e o Estado do Rio de Janeiro tem-lhe dado combate sem tréguas, com ações policiais pautadas em inteligência e investigação das suas polícias.

Por se tratar de um quadro grave, com similitudes de conflito urbano armado encetado pelas facções criminosas, infelizmente ainda há danos colaterais, indesejados por todos nós que desejamos o bem comum e a concórdia entre os diferentes legítimos, mas que um dia, esperamos, só existirão nos compêndios de história, nos registros esclarecedores de uma época difícil para nossa população.

A exemplo de Uribe e da maioria dos colombianos, não podemos nos aconselhar com receios.

Que a libertação de Ingrid Betancourt sirva de alvíssaras de um novo tempo, para todo mundo.

Tempo de coragem, obstinação e certeza de dias melhores.

19 comentários:

Carlos disse...

Caro TC Mario Sergio;

Em nosso meio academico ouvimos coisas ridiculas. Ja ouvi gente dizer que o narcotrafico é alimentado por capital da bolsa de valores. Ouvi outros dizendo que o comercio de drogas é "distribuição de renda" ou "transferencia de renda" das classes altas para os pobres, enfim, tudo para justificar uma baforada de fumaça ou inalação de pó.

Não sei se o Sr. ouviu a última, um escritor presente na FLIP disse que: "Ingrid é uma pessoa feia (...) que buscou seu proprio sequestro"
http://tribunapopular.wordpress.com/2008/07/04/ingrid-e-uma-pessoa-feia-diz-ex-colombiano-fernando-vallejo/

Ou as reações freneticas dos estudantes do IFCH da UFF(o qual fui aluno por 2 anos) que protestavam contra a criação do curso de graduacao em segurança publica.

Pessoalmente, nem dou mais bola para estas reações, ilações e palavras do genero.

Um abraço!

Ten Barrim

Mário Sérgio de Brito Duarte disse...

Pois é Barrim, e o escritor é um colombiano naturalizado mexicano.
Sobre o problema da UFF, da rejeição dos alunos da universidade, é compreensível: a presença de policiais no campus tira-lhes a liberdade para "relações químicas", compreende?

Anônimo disse...

Excelente a entrevista com o o sociólogo colombiano Hugo Acero e creio que a Colômbia está perto de eliminar as FARCS.
Porém o assassinato do menino João Roberto mostra um despreparo absurdo da polícia, embora já tenha mostrado avanços desde o caso do ônibus 174.
Abraço
André

Anônimo disse...

Acredito ser dificílimo para um Homem da grandeza do Senhor ler, ouvir e ter que dar explicações por erros estranhos ou grosseiros cometidos por PMs na Barra da Tijuca e Tijuca respectivamente. E quando digo estranhos ou grosseiros repito manchetes de jornais e revistas. A PM questionada de forma vil justamente num momento crítico no combate à criminalidade.
Novamente chove policiólogos neste momento palpitando aqui e ali procedimentos que já devem estar nos controles internos da corporação. Difícil a missão de declarar guerra a violência do tráfico quando o efeito colateral atinge em cheio a confiança da população ou fomenta toda sorte de manchetes negativas sobre a PM. Eu como simples observador tenho a convicção de que erros acontecem, mas gostaria de perceber que Homens como o Senhor Mario Sérgio não deveriam ser exceção na PM. Que a PM possa levantar a cabeça, reconhecer sua grandeza e seguir em frente!
Força e Coragem!
Um fraterno abraço.

milena costa disse...

Coronel,
Em primeiro lugar, parabéns mais uma vez pela qualidade do seu artigo. O senhor é um intelectual de primeira. (Aos leitores do blog: não confundir com os "intelequituais" que proliferam por aí.)
Eu também fico muito contente com o que está acontecendo na Colômbia, mas não sei se este bom exemplo vai entrar em certas cabeças.
O senhor sabe qual é a saída, agora, para o pessoal que insiste em querer revolução socialista? As FARC não têm nada a ver com socialismo. Ninguém lembra por que eles seqüestram e matam. Não se diz que os terroristas usam camisetas do Che Guevara, como os militantes do MST, os jovens nas nossas escolas e os traficantes nos nossos morros.
Sobre o outro assunto que o senhor abordou, eu acharia estranho - se já não fosse acostumada com coisas estranhas acontecendo - que quase ninguém fala em punir os criminosos. Ninguém se indigna com os traficantes torturadores e assassinos. Vi a imprensa e as autoridades indignadas com os cretinos que levaram os rapazes de uma favela para outra, pertencente a gangue rival. Não vi ninguém se mostrar indignado com o absurdo de uma favela pertencer a uma gangue, que naturalmente mata os rivais, como todos sabem e aqueles militares deviam saber. Parece que os únicos culpados são os militares, e o próprio Exército passa a ser questionado.
Parece que - como disse o presidente do STF, Gilmar Mendes, sobre o MST - incorporamos o patológico em nossa mente.
Mas, como o senhor diz, os acontecimentos à nossa volta nos dão esperanças. Não é possível que os nossos "intelequituais" continuem indo na contramão da história, da razão e do bom senso.
Um abraço,
Milena

Mário Sérgio de Brito Duarte disse...

Prezado comentarista.
Estamos ainda no calor dos acontecimentos. Nenhuma explicação que não se fundamente na execração pública, no linchamento moral dos policiais autores da morte do pobre menino, promoverá efeito em qualquer que se detenha na consideração do doloroso fato.
O momento não é de considerações racionais, mas das imprecações passionais, alavancadas pela intensidade das fortes emoções.
É o momento das catarses de todas as nossas angústias e apelos por socorro emocional
Todavia, não te surpreenda se encontrares os aproveitadores de ocasião, essa espécie de Polyborus Plancus de plumagem bonita e aparência imponente, mas aproveitadores de ocasião que se fartam de qualquer coisa viva ou morta que se lhes prestem de insumo vital, esses patifes farsantes das boas intenções humanistas que, se aproveitando de sangue inocente, escrevem palavras de ordem nas bandeiras das intenções inconfessáveis que desfraldam com a maior cara-de-pau. Irá sabê-los no sepultamento, nas manifestações de protesto e nas missas.
É hora de dor; da família do menino martirizado, dos seus parentes próximos, da população consternada, da PM sitiada e dos Policias Militares autores de tão triste acontecimento, mas é hora da espetacularização midiática, do faturamento com a fatalidade, da politização e da ideologização da tragédia; é hora se exibir para flashes e falar em microfones, porque, para alguns, a dor do outros é só uma boa oportunidade de montar simulacro de solidariedade insuspeita e de aprovação geral.

Anônimo disse...

Prezado Coronel Mário Sérgio:

O seu irretocável texto sobre o fatídico acontecimento, já sepulta quaisquer tentativa de comentário. Vejo claramente , que graças á DEUS o CAP PM MÁRIO SÉRGIO, CAVEIRA 37 , ainda existe. Aquele mesmo capitão que ( perdoe o palavrão, mas, falo com carinho ), SE FUDEU POR querer justiça nesta Polícia. Aquele Cap que foi preso por reinvidicar melhoria salarial entre outras coisas mais. Perseguido , ainda assim, continuou na luta e hoje, o cargo não lhe subiu á cabeça. Já esperava por isso, Coronel. Que DEUS te abençoe Coronel. Olhe por nós.

Mário Sérgio de Brito Duarte disse...

Prezado Comentarista.

Seu comentário de aprovação ao meu comentário apenas expressa o que pelo menos parte (espero que a maioria da nossa Corporação) pensa e sente, ou seja, que os momentos de racionalização do ocorrido ainda virão, com lucidez e livre de qualquer emotividade passional.
Os nossos policiais envolvidos no caso estão sofrendo, e muito. Saibamos disso.
Quase não publiquei seu comentário, é verdade, em razão do palavrão. Peço-te que numa eventual futura passagem estejas também mais calmo. Compreendo sua revolta e essa vai por conta das nossas dores. Não somos anjos, somos homens.
Força e honra!

Anônimo disse...

Caro Cel., seu texto é, como sempre, de uma sintáxe primorosa mas nunca de uma dialética inquestionável. As FARC-EP não são um grupo "narco-marxista", mas um exército insurgente, beligerante, imerso numa guerra civil pela tomada do poder na Colombia pelo proletariado.Interessante que todo o seu encadeamento argumentativo é um "fac-símile" das argumentações de Álvaro Uribe e de Bush.Nem a diplomacia brasileira refere-se às FARC-EP com este epíteto.Talvêz o sr. tenha acésso à inteligência americano-israelense utilizada pela Colombia(não se leia povo colombiano), para derrotar a guerrilha. Sobre a "jóia da coroa", se os próprios prisioneiros de guerra tinham problemas com Bettancourt, já é prova suficiente de que ela não é tão frágil quanto a mídia têm mostrado e o sr. repercutiu em seu texto.Não, Bettancourt não é uma mulher feia, mas uma mulher medíocre, elitista, que encarna valôres que a América Latina insiste em banir: sua colonização-estrativista européia. Haja-vista sua dupla nacionalidade, p. ex.Para mim,abissal diferença existe entre Bettancourt e os Comandantes guerrilheiros prêsos na Colombia e nos EUA,já que os primeiros lutam anônimamente por seu País, num exército popular, enquanto Bettancourt queria ser presidente por um partido medíocre sem ideologia e mantenedor do "status quo" vigente há décadas. O sr. sabe o que é um exército popular, Cel?Contraria, sem dúvida, o que nós entendemos por militarismo(uma carreira, que não está ligada à capacidade militar, infelizmente).Infelizmente as FARC-EP foram enganadas. Mas eles juraram vencer pelo povo da Colombia, e não simplesmente por sacolés de cocaína.

EL CURA PEREZ

Mário Sérgio de Brito Duarte disse...

Cura, no mundo das imperfeições comuns à humanidade nada é inquestionável e seguramente não são inquestionáveis meus argumentos. Ponho-os, todavia, em exposição e aí alguns seguem comigo nas idéias, outros não. A linha mestra do meu pensamento é a racionalista-realista, não radical, ou seja, elejo a razão por instância superior da condição humana e creio que a verdade existe. Embora eu pudesse falar das outras crenças que dão suporte às minhas interpretações de verdade, vou resumi-las com um aforismo de Aristóteles que diz “um pensamento é verdadeiro quando diz que o que é é, ou que o que não é não é. Um pensamento é falso quando diz que o que é não é, ou que o que não é é”. Penso ser verdade que não sou inquestionável e penso ser verdade que tenho o direito de pretender argumentar verdadeiramente.
Todavia, voltando à questão do mundo sensível estou convencido que “aqui” nada é perfeito e os sistemas que criamos, inclusive os políticos, levam a marca da impossibilidade da perfeição, acessível, sim, pela idéia.
Bem, esse preâmbulo meio besta é para dizer que não creio na fórmula marxista para um mundo melhor. Julgo ruins seus critérios de justiça, marcadamente aquele que aposta na divisão do todo para todos igualmente como sendo o mais justo. Ele é frágil, desrespeitoso do valor de eqüidade. Não aprovo sua interpretação da humanidade pela história das suas lutas de classe. Vejo o marxismo como a teoria igual e em sentido contrário à teoria católico-protestante do “inferno como pena coletiva para não-salvos”. São paroxismos dogmáticos que tentam se apresentar como “crença” sincera, mas não escapam aos fanatismos comuns aos seus radicalismos de concepção e práxis.
Bem, é uma questão longa que convém ser diluída para não cansar o leitor e não nos cansarmos também.
Confesso-te, porém, que não tenho motivos para ser americanista ou anti-americanista. Nunca fui aos Estados Unidos e nem tenho vontade de ir. Não conheço Israel nem seu serviço de Inteligência. Andei, sim, pela Colômbia. Conversei com pessoas nas ruas, na Comuna 13 e na favela de Santo Domingo, em Medellín. Fui à Cartagena de Índia e fiz compras num shopping de um bairro pobre da cidade. Em todos os lugares conversei com o povo nas ruas, gente das camadas mais pobres e TODOS abominam as FARC. Alguns haviam perdido familiares para seus quadros: filhos, irmãos, irmãs. Outros haviam perdido familiares em combate com as FARC. O que você chama de exército insurgente consegue ter tanta reprovação na Colômbia quanto os cartéis das drogas e perde também para as ADUC.
Finalmente, sobre Ingrid, tens o direito de julgá-la como te convém à consciência e com o apelo que satisfaz a ideologia que aprovas, como tens o direito de aprovar a condescendência da diplomacia brasileira com as FARCs e do governo com o MST.
De minha parte tenho direito de reprovar ambos. Bem, pelo menos enquanto não formos uma “ditadura do proletariado”.
Força e honra!

milena costa disse...

Coronel, me dê licença para um adendo à sua resposta ao Cura.
Também creio verdadeiro que ninguém é inquestionável e todos têm igual direito de argumentar. Esta crença é a base da democracia. Mas não sou relativista e não acho que todo discurso é válido - como o senhor com certeza não acha também. Sendo polido, o senhor deixou de apontar alguns erros do Cura, tais como:
1) A presunção de que os guerrilheiros lutam por seu país, enquanto Ingrid apenas queria ser presidente. Nem eles, nem ela podem dizer que representam "o país" ou "o povo" em geral. Eles e ela representam idéias ou interesses diversos. Aquele que se crê o único defensor do país ou do povo exclui o dissenso e o pluralismo na sociedade. É autoritário, portanto.
2) A admissão da luta armada, com recurso à violência para tomada do poder, num regime que permite o alcance do poder pelo meio pacífico da persuasão da maioria. Ele julga medíocre um partido que pleiteia uma eleição, enquanto elogia os que seqüestram e matam para buscar seus fins políticos. Isto é aceitar que os fins justificam os meios, uma postura que não me parece válida diante da Ética.
3) A falsa generalização de que a América Latina renega sua colonização européia. Há grupos que a renegam, mas boa parte dos latino-americanos (o que ele chamaria "direita") identifica-se com a civilização ocidental e cultiva a herança européia. Mais uma vez, ele confunde a parte (à qual ele pertence) com o todo.
4) A suposição de que a diplomacia brasileira é neutra ideologicamente.
E encerro aqui a minha intromissão neste interessante debate, saudando a ambos.

Mário Sérgio de Brito Duarte disse...

Milena
Exato!

Anônimo disse...

Sr. Mário Sérgio,
Como usuário dos serviços de segurança pública gostaria de propor duas sugestões: a primeira é que homens como o senhor também dessem palestras para os soldados, cabos e sargentos do RJ, elevando a moral da tropa e transmitindo sua paixão pela PM. Dizem que suas palestras são ótimas e interessantes, ainda não tive o prazer de assistir, mesmo para aqueles que são leigos em matéria de segurança. Imagine a revolução que poderia produzir na cabeça dos praças!
A segunda sugestão é que se fosse possível orgãos como o ISP utilizassem as informações que recebem de casos dramáticos como o recente ocorrido na Tijuca para estudos de casos assim como fazem os MBAs.Desta forma, utilizando esses fatos tristes como objeto de estudo esses eventos poderiam produzir conhecimento.O Bope foi muito feliz por aprender que o caso Geísa foi um divisor de águas para sua excelência no resgate de reféns. Por que não expandir isso também para os demais batalhões? Entendo que neste caso o envolvimento maior tem que vir de cima. A Escola Superior da PM poderia ajudar neste processoMeu respeito sempre e um grande abraço.

Mário Sérgio de Brito Duarte disse...

Prezado Comentarista

Honrado com vossa postagem, digo-lhe que homens muito melhores que eu realizam diariamente palestras para os efetivos que trabalham nas ruas.
Mais: realizam palestras e participam dos serviços, com seus desafios que vão dos combates explosivos aos atendimentos humanitários.
O que o PM precisa hoje é ser valorizado, começando com o salário.
Enquanto a população não enxergar que vivemos um "conflito armado de baixa intensidade", sem ideologia política, mas baseado no que chamo de "ideologia de facção", nenhum trabalho policial será bem compreendido. Poderíamos ter aqui a polícia de Londres e seu trabalho esbarraria na loucura que vivemos.
Obrigado pela postagem
Força e honra!

Anônimo disse...

Prezado Coronel Mário Sérgio: peço-lhe a devida licença para falar de algo, que nada tem á ver com o assunto ora abordado, mas, se pudesse dar "vida" á estas 2 idéias, seria muito legal( eu sei da importância do seu cargo, mas,não custa tentar né?):

1) O seu livro é extraordinário e repetir o discurso é "chover no molhado". Mas, no seu blog, o senhor de vez em quando, contava casos bem legais como o Jorge Bocanca e poxa: é muito legal ler nos textos a vivência de um CAVEIRA , o que o senhor viveu , enfim. O que for publicável , por favor , nos conte pois é muito legal mesmo. Afinal, sempre leio os seus maravilhosos textos!

2)Vi, que agora, o Coronel Amêndola é colunista do EXTRA. Muito legal isso , muito mesmo. Pessoas como ele, o senhor, TEM A OBRIGAÇÃO DE OPINAR , por justamente terem MORAL , EXPERIÊNCIA, CARÁTER e DIGNIDADE para isso. De sorte, que gostaria de fazer uma proposta, um tanto inusitada: tinha que fazer um novo layout militar para o Cel Amendôla. Poxa, ia ser maneiro para caramba, ele "MODERNIZADO" no Blog, viu?O Cel.Pinheiro Neto é seu amigo, dê esta idéia, afinal ELE MERECE!!!!
AAAAHHH!! Tem que colocar lá na tarja: " CEL. AMÊNDOLA - 01".

Forte abraço para o senhor e que DEUS lhe abençoe e sua família tb!!!

marcosan disse...

Parabéns pela promoção.

marcosan disse...

Coronel,parabéns por sua tão merecida promoção. O Senhor é extremamente inteligente. Suas palavras,abrem nossas mentes para uma realidade que se chama: Segurança pública.

Roberto disse...

Caro cmdte geral Mario Sergio,eu estive na sua palestra na semana passada de cabos e soldados,e vi que ali estava um homem que com certeza não vai decepcionar a tropa,pois aquele semblante que eu vi, me passara muita confianca e espero que o senhor consiga e se Deus quiser vai conseguir,fazer nessa policia."HISTORIA'.DEUS acompanhe e guie seus passos.

Roberto disse...

Caro cmdte geral Mario Sergio,eu estive na sua palestra na semana passada de cabos e soldados,e vi que ali estava um homem que com certeza não vai decepcionar a tropa,pois aquele semblante que eu vi, me passara muita confianca e espero que o senhor consiga e se Deus quiser vai conseguir,fazer nessa policia."HISTORIA'.DEUS acompanhe e guie seus passos.